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Papo de Cavaleiro por Paulo Guilhon
Paulo Guilhon é um profissional completo, dedicado ao cavalo há mais de 20 anos.
É professor de podologia, doma racional e equitação. Autor do livro "Doma
Racional Interativa" (Editora Aprenda Fácil
www.afe.com.br), e titular do
Núcleo de Prestação de Serviços ao Cavalo (NPSC), escola itinerante com fins
de qualificação profissional da mão de obra para criadores de cavalos e
centros hípicos, fundado em 1988.
Foi professor do Centran Toledo no período de 1998 a 2001 nos cursos de:
manejo, doma racional, equitação, aparação de cascos, correção de aprumos e
ferrageamento. Foi professor de podologia, equitação e doma no curso de
qualificação profissional em eqüinocultura da Escola Agrotécnica Federal de
Barbacena-MG.
Esta coluna irá reproduzir os textos do programa de rádio "Papo de
Cavaleiro", produzido e apresentado por Paulo Guilhon em Viçosa-MG.
Os
primeiros textos são curtos porque, inicialmente, Paulo tinha apenas 1
minuto para dar o seu recado. Gradativamente este tempo foi sendo ampliado,
devido às solicitações dos ouvintes, até uma duração de 8 minutos. Os
textos dos primeiros programas, mais curtos, serão disponibilizados em
bloco, semanalmente. Aí vão os primeiros.
Primeiro Caderno
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01 - Saúde do cavalo
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E então cavaleiro, como anda a saúde do seu cavalo?
Para que o nosso cavalo esteja bem disposto para realizar suas funções
no trabalho, precisamos zelar bem pela sua saúde. Se por acaso ele anda
desvitalizado, começe verificando os fatores básicos:
· Confira a qualidade e quantidade do alimento que está sendo
oferecido a ele;
· A ingestão regular de sal, é muito importante para o equilíbrio
orgânico do cavalo;
· Veja se a água é de boa qualidade, e está disponível;
· Uma vermifugação periódica elimina a ação de vermes e agentes
parasitas.
· Lembre-se de manter o seu animal livre das infestações por
carrapatos, eles debilitam o organismo e são transmissores de
doenças.
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02 - Pisadura
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Meu cavalo está com uma pisadura, e agora, o que eu faço?
Esta é uma indagação comum de ser ouvida por aí.
Bom, como diz o ditado: “cavalo pisado, arreio encostado...”.
Se isso acontecer com seu cavalo, duas providências são
indispensáveis:
1a. Descobrir a causa do ferimento.
2a. Encaminhar tratamento adequado, para solucionar logo o
problema.
Geralmente as causas principais das pisaduras são:
· Arreio ou sela com defeito no suadouro;
· Suadouro de tamanho incompatível ao dorso–lombo do
cavalo;
· Mantas que não oferecem suporte suficiente para a proteção da
montaria;
· Ferimentos decorrentes de brigas entre os animais;
· Descuidos com a higiene do pelo, principalmente após a
utilização do cavalo.
Com relação ao tratamento, obviamente deve-se evitar montar o animal,
até a cicatrização da ferida, além dos curativos locais, ou seja,
lavar todos os dias com água e sabão e aplicar medicamento apropriado
para auxiliar no processo de recuperação do tecido.
Não se esqueça de consultar o seu veterinário antes da aquisição do
medicamento.
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03 - Cascos
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Todo cavaleiro experiente sabe que sem bons cascos, nenhum cavalo terá
desempenho satisfatório no trabalho.
E você companheiro, tem cuidado dos cascos do seu cavalo?
Nós vamos dedicar especial atenção a este assunto, abordando
freqüentemente temas relacionados a cascos e ferraduras.
Hoje, para ressaltar a importância do assunto, vou repetir um verso que
aprendi com o professor Adalton P. de Toledo, especialista em podologia
eqüina:
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“Por causa de um cravo, perdeu-se uma ferradura,
por causa de uma ferradura, perdeu-se um cavalo ...,
por causa de um cavalo, perdeu-se um soldado...,
por causa de um soldado, perdeu-se uma batalha...,
por causa de uma batalha, perdeu-se a guerra...,
e tudo por causa de um cravo de ferradura!”
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04 - Broca de Casco
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O que é uma broca de casco?
A broca nada mais é, do que a formação de um canal perfurante,
provocado pela ação de uma bactéria que se aloja e se multiplica nos
cascos dos cavalos.
Essa bactéria é do tipo anaeróbico, isso quer dizer que ela só
sobrevive na ausência de oxigênio. Aquelas manchas escuras, de material
mal cheiroso, que ás vezes encontramos na sola do casco, são as
bactérias em ação.
Animais que ficam confinados em baias são mais sujeitos à ação dessas
bactérias, pois ali elas encontram o meio favorável para a sua
proliferação.
O casco, com a sola entupida mantém calor, umidade e falta de
oxigenação, tudo o que a bactéria precisa para se dar bem.
Cavalos de pasto também podem ser vítimas das brocas, pois quando o
casco cresce desordenadamente, ele pode quebrar ou rachar a muralha
córrea. Favorecendo a penetração e alojamento das bactérias nas fendas
ou buracos formados.
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05 - Falta de Ferradura
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Caro amigo cavaleiro, você já experimentou calçar a bota em só um dos
seus pés, e andar o dia inteiro desse jeito?
O desconforto dever ser tremendo, não é mesmo...?
Sem contar com as dores nas pernas ao final do dia, devido à diferença
de esforços entre as estruturas locomotoras das duas pernas, como por
exemplo, os músculos, tendões, as articulações etc.
Agora pense no seu cavalo, que muitas vezes perde uma ou mais
ferraduras, e fica durante dias pisando naquela situação: ta raso, ta
fundo, ta raso, ta fundo ...
O mínimo que podemos fazer por ele é retirar a ferradura do par
correspondente, quando uma delas se soltar.
Com certeza ele vai sentir um grande alívio!
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06 - Cavalo com Defeito de Comportamento
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Seu cavalo tem algum mal vício ou defeito de comportamento?
Ele já tinha esse defeito quando você o adquiriu, ou aprendeu depois?
Lembre-se sempre que o cavalo costuma refletir, através do seu
comportamento, as ações do manejo ao qual ele está submetido.
Em outras palavras, tome cuidado com suas ações sobre ele, pois as
reações serão uma conseqüência natural. As nossas atitudes devem ser no
sentido de dar entendimento ao animal, e mesmo que ele não entenda
naquele exato momento, se nós insistirmos no dia a dia, repetindo com
paciência as lições, ele terá mais chances e mais facilidades para
aprender.
Este é o princípio das técnicas utilizadas na doma racional. Mas se, ao
contrário, as nossas ações forem negativas, recorrendo à violência e
submetendo o cavalo com brutalidade, as conseqüências poderão ser os
defeitos, os maus vícios, e a resistência do cavalo em corresponder aos
nossos comandos.
Portanto companheiro, preste mais atenção em suas atitudes, elas serão
determinantes no seu relacionamento com o cavalo. |
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07 - Escovação
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Uma boa maneira de manter o pêlo do seu cavalo em bom estado, é
promover a escovação diariamente. Usar raspadeira e escova de forma
correta, massageando, limpando, e penetrando o pêlo, deve ser um hábito
praticado pelo cavaleiro caprichoso, antes e depois de utilizar o
cavalo. Além de ficar mais bonito, o animal sente um bem estar ao
ser escovado, e isso ajuda a mantê-lo tranqüilo e relaxado. Os
banhos com sabão não devem ser frequentes, pois eles retiram aquela
cerosidade natural do pêlo, que tem função protetora contra a chuva e
os raios do sol. Cuide bem do seu cavalo, e até o próximo
programa! |
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09 - Embocadura
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De vez em quando algum cavaleiro pergunta: – qual o tipo de bridão
ou de freio que eu devo usar no meu cavalo? Quando a montaria está
atendendo mal aos comandos de rédeas, temos a tendência em colocar a
culpa na embocadura, que é aquela peça que fica dentro da boca do
cavalo. Certamente temos bridões e freios de boa e má qualidade, e
a escolha do equipamento certo vai depender de uma série de condições
como a raça, o tamanho, a sensibilidade e a função do cavalo.
Porém, muitas vezes, o problema maior não é a embocadura, mas aquela
“pecinha” que fica atrás das rédeas, ou seja, as mãos do cavaleiro.
O bom cavaleiro deve se preocupar em refinar os comandos de rédeas,
jamais usá-las com movimentos bruscos, ou imprimindo força na boca do
cavalo. Ter uma boa “mão de rédea” significa, entre outras coisas, ser
firme e ao mesmo tempo fazer um contato suave com a boca do cavalo. |
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10 - Bom Manejo
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E então companheiro, você que é um cavalariço, nome dado àquele
profissional que cuida dos cavalos nos haras e centros hípicos, como
vão as coisas por aí? Algum problema com a tropa? Se os seus
cavalos andam nervosos, cheios de manhas, aproveite e faça uma revisão
no seu manejo. Será que eles não estão ficando presos por muito
tempo? Não se esqueça que os períodos de liberdade são
indispensáveis para o seu bem estar. Se não há piquetes nem pastos para
soltar o cavalo, ele deve ser exercitado diariamente, seja montado ou
na guia. Outro detalhe importante é o bom estado de higiene das
baias. Numa baia seca, limpa e bem arejada, com certeza o cavalo se
sentirá mais confortável. Não se esqueça de manter os bebedouros com
água fresca e limpa, ela deve ser verificada todos os dias. Na hora
de passar o trato alimentar, veja se não há resíduos nos cochos, pois
eles podem fermentar e provocar cólicas nos animais. É isso aí,
cavaleiro, fique esperto, seja responsável e boa sorte! |
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11 - Entendendo seu Cavalo
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Será que alguma vez você já tentou se colocar na posição do seu cavalo
quando, em algum momento do manejo ou do trabalho, ele não quer
obedecer às nossas solicitações? Será que ele sempre é obrigado a
entender imediatamente as nossas determinações? Na verdade, na
maioria das vezes a teimosia dele está relacionada com falta de
entendimento. O problema é que, como nós temos pouca paciência, e
achamos que o cavalo tem a obrigação de nos entender, partimos logo
para as ações violentas e acabamos comprometendo todo o processo de
aprendizado do animal. O cavalo aprende por repetição de hábitos.
Se hoje ele não sabe o que deve fazer, insista passivamente dando
entendimento a ele. Seja firme, porém evite o uso da violência. Você
verá que em poucos dias ele estará confiando em suas atitudes e
aprendendo as lições. Exercite sua paciência com insistência e
acredite, o resultado acontecerá! |
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12 - Aprender Sempre
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Há quanto tempo você trabalha ou convive com cavalos, companheiro?
Dois, cinco, dez, vinte anos? Será que você já aprendeu tudo sobre
esses animais e sobre a sua profissão? Se você acha que sim, que
não há mais o que aprender , cuidado, isso pode limitar seus
conhecimentos. Por mais que tenhamos aprendido, esteja certo, há sempre
algo que ainda não sabemos ou não dominamos. O cavalo e as
atividades que o envolvem, têm vários níveis de profundidade, os quais
podem ser interpretados e praticados de muitas maneiras diferentes. Por
isso não se iluda, seja humilde e mantenha-se sempre disposto a
aprender novas técnicas, trocar experiências com outros profissionais,
observar outros cavaleiros, pois assim aproveitaremos melhor as
oportunidades e seguiremos aumentando e aperfeiçoando os nossos
conhecimentos. Até a próxima! |
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13 - Qual Embocadura Usar
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Outra pergunta comum de se escutar é a seguinte: - eu devo usar uma
embocadura suave ou agressiva em meu cavalo? Mas o que significa
esta estória de embocadura suave ou agressiva? Na verdade, a
suavidade e ou agressividade, estão mais relacionadas com as ações das
mãos do ginete, mas a título de explicação poderíamos dizer que quanto
mais grosso, mais calibroso for o bocado (que é aquela parte da
embocadura, que fica dentro da boca do animal, em contato com as barras
do maxilar inferior, região conhecida popularmente como “assento”),
maior será a superfície de contato entre a embocadura e as barras, e
menos intensa a sensação para o cavalo. No caso do freio, as suas
pernas, também conhecidas como canas ou caimbras, determinam a sua
força. Quanto mais longas as pernas, maior a ação da alavanca. Em
resumo: freio bravo seria aquele que apresenta bocado fino e pernas
longas, e freio suave aquele de bocado grosso e pernas curtas. De
qualquer forma, o importante é adquirirmos sensibilidade e técnicas,
para usarmos corretamente as embocaduras através das ações de rédeas.
Sendo assim seu cavalo sentirá mais conforto, confiando em suas mãos e
atendendo com eficiência às suas solicitações. |
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14- Construindo uma Baia
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Você está pensando em construir uma baia para seu o cavalo? Então
vão aí algumas dicas: – dê preferência às semi-abertas ao invés
das totalmente fechadas, pois seu cavalo precisa manter contato com o
mundo ao seu redor; pelo menos através do campo visual. Isso
eliminará parte do “stress” causado pelo confinamento; – não
construa uma baia com espaço reduzido, o cavalo deve estar à vontade
e com relativa liberdade de movimentos; – se for possível faça os
cantos das paredes de forma arredondada, as quinas roubam espaço
interno e causam má impressão ao cavalo. As formas arredondadas dão
idéia de movimento. Lembre-se que ao ar livre não existem quinas;
– cochos e bebedouros também devem ter seus cantos internos e bordas
externas arredondados, para não reter resíduos, nem provocar
contusões nos animais; – nas baias semi-abertas o cavalo estará
menos desaclimatado. Ele precisa manter-se ambientado às mudanças
climáticas para não perder a rusticidade nem a resistência orgânica.
Não se esqueça: ele é um animal da natureza, e como tal dotado de
mecanismos de defesa contra as oscilações do tempo. Mas o mais
importante, é termos em mente que a baia deve ser usada de maneira a
beneficiar o cavalo, e não a prejudicá-lo. Por isso não exagere
esquecendo seu cavalo lá, como se fosse um automóvel estacionado na
garagem. Você pode chegar lá e encontrá-lo com a “bateria” arriada!
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15 - Geral na Tropa
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E aí chega o dia de dar uma geral na tropa, o patrão vai passar o
feriado na fazenda. Tosas de crinas, limpezas de orelhas,
casqueamentos e ferrageamentos vencidos, a serem colocados em dia.
São vinte animais. Aí o sujeito pensa: – vou levantar bem
cedo, ajeitar doze animais na parte da manhã, e deixar oito para o
período da tarde. Ele é um cavalariço treinado, acostumado com
dureza e com anos de experiência no ramo. O dia seguinte chega; ele
encara a batalha, e quando anoitece o serviço está terminado.
Feito a trancos e barrancos, é claro, pois para dar conta da
empreitada ele não podia perder tempo. Mas tudo bem, só três animais
se machucaram, e ele, o cavalariço, teve apenas dois cortes nas mãos,
um pisão no pé que acabou fraturando o dedo mindinho, e a sensação de
estar com os ossos todos doloridos, devido aos esforços e arrancos
que ele tomou o dia inteiro. Mas tudo bem, durante o feriado ele só
terá que trabalhar dobrado, pois o patrão cola o pé dele das sete da
manhã às oito da noite. Mas não tem importância, quando o patrão for
embora ele terá mais de um mês até a sua próxima visita. Tempo
suficiente para ele se recuperar e deixar o serviço acumular todo
outra vez. Essa estória toda, é uma realidade frequente em grande
parte dos haras. Eu testemunhei essas cenas inúmeras vezes em minhas
visitas de assistência técnica, a criadores de cavalos de várias
regiões do Brasil. Será que aí onde você trabalha a cena também é
está companheiro? Meu avô costumava dizer: “quem trabalha sempre,
evita trabalhar muito ...” Por isso amigo cavalariço, mantenha
suas tarefas em dia, não deixe seu trabalho acumular, seus esforços
serão menores, e os resultados bem melhores! |
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16 - Búfalo Bill
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O cavaleiro vem lá! Aquela cena manjada ... Estalado de
chicote na garupa do Baião, rosetadas nos flancos, rédeas esticadas
forçando o freio pro bicho repicar a marcha. De repente o tranco:
puxão nas rédeas; pernas esticadas pra frente mostrando a sola da
botina que até dá pra gente identificar o fabricante e ler o número
do pezão. Corpo deitado pra trás, a aba do chapelão quase tocando a
garupa do Baião. O cavalo com o pescoço esticado, cabeça lá no alto e
a boca escancarada com a língua pendurada pra fora. E a cara do
Baião ...? Olhos esbugalhados com aquela expressão de pavor, as
narinas dilatadas, o corpo espumado de suor até atrás das orelhas.
Aí o companheiro apeia, amarra o Baião no palanque em frente a
venda, e entra pisando firme. Camisa aberta no peito, mas
colocada pra dentro da calça, que é pra exibir o fivelão com cabeça
de cavalo estampada. Naquela hora o sujeito se sente o próprio
Búfalo Bill. Daí pra frente o que vier ele topa: bate papo, cerveja,
tira-gosto, pinga, discussão, briga. E o Baião lá fora, com a
barrigueira apertada que dá dó. Mal consegue relaxar a respiração,
que precisa ser curtinha por falta de espaço para dilatação do
ventre. A noite chega, e o Baião lá, morto de sede, a fome nem se
fala, pois o “Búfalo Bill” deixou o coitado preso no cural de ontem
pra hoje, para não ter trabalho na hora de pegá-lo. Diga-se de
passagem, o Baião é um cavalo de difícil acordo, mas também com um
cavaleiro desses, não é pra menos ... |
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17 - Idade do Cavalo
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Aí o companheiro resolve vender o cavalo para comprar outro melhor.
O comprador aparece e já começa perguntando: - qual a idade do
castanho? Mais do que depressa vem aquela resposta que todo mundo
já conhece ...: – mais ou menos uns oito anos ...!! Vocês já
devem ter reparado que pelo menos 90% dos cavalos de sela, têm mais ou
menos uns oito anos ... Mas qual é a causa disso? Bom, primeiro
é porque oito anos é uma idade significando que o cavalo está iniciando
a maturidade e pronto para agüentar o serviço. O segundo principal
motivo, é que em geral o comprador não tem conhecimentos para verificar
se a informação é correta ou não, e acaba tendo que acreditar no
vendedor. Existem algumas maneiras de calcular e identificar a
idade aproximada de um cavalo, entre elas a mais usada é através do
exame da dentição. Apesar de haver uma pequena variação de cavalo
para cavalo, principalmente no processo de desgaste dos dentes, naquela
fase conhecida como a fase das mudas dentárias é bem fácil e seguro
verificar a idade do cavalo. No programa de amanhã falaremos sobre
elas, as mudas dentárias do cavalo. Até lá! |
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18 - Mudas Dentárias do Cavalo
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Muito bem, esse negócio de mudas dentárias é o seguinte: O cavalo
tem três pares de dentes incisivos no maxilar superior, e três pares
no maxilar inferior. Em outras palavras, se abrirmos a boca do animal
veremos, ali na frente, logo depois dos lábios, seis dentes em cima e
seis dentes em baixo. Esses dentes têm nomes, são dois pares chamados
“pinças” (um par em cima, outro em baixo), dois pares chamados
“médios” (um par em cima, outro em baixo), e dois pares chamados
“cantos” (um em cima, outro em baixo. Nas mudas dentárias, o que
acontece é a substituição dos pares correspondentes de dentes de
leite por outro par de dentes definitivos. A primeira muda ocorre
aos dois anos e meio, e o cavalo troca os pares de “pinças” de leite,
por pares definitivos. As “pinças” são aqueles pares dispostos na
posição central dos maxilares superior e inferior. Aos três anos as
“pinças” definitivas fazem a oclusão, ou seja, terminam o seu
crescimento. A segunda muda é feita aos três anos e meio, e são
substituídos os pares conhecidos como “médios”, aqueles dentes logo
depois das “pinças”. Aos quatro anos o cavalo iguala a segunda muda,
isto é, os dentes definitivos terminam o seu crescimento. A
terceira e última muda, vem aos quatro anos e meio, e são
substituídos os pares chamados “cantos”, posicionados depois dos
“médios”. Aos cinco anos esses dentes fazem a oclusão, e então
dizemos que o cavalo igualou a última muda, e está com a “boca
feita”. A partir dos cinco anos o cavalo atinge o idade adulta, e
daí em diante o exame dos dentes será realizado através de sinais de
desgaste, os quais não se modificando até por volta dos vinte e cinco
anos . Esses sinais são em grande número, e a pessoa necessitará de
experiência e maiores conhecimentos para identificá-los. Lembre-
se: “cavalo comprado, sempre se olha os dentes ...!” |
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19 - Domadores
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Chegou a hora de domar o potro! Agora é encontrar um bom domador para
fazer o serviço. O sujeito procura daqui, dali, e nada de achar o
profissional. Aí começa aquela velha conversa: - pôxa mas não é
possível, os domadores não existem mais ..., eles são uma “espécie”
em extinção ..., a coisa mais difícil de se encontrar ..., quando
agente tem notícia de algum, ele é um sujeito irresponsável, daqueles
que usam o animal só pra irem até a venda encher a cara de cachaça
..., devolve o cavalo cheio de manhas, num estado de pele e osso de
tanto ser maltratado. E por aí vai ... Mas eu pergunto:
Vocês têm idéia dos riscos da profissão, e do conhecimento necessário
para se fazer um trabalho bem feito com um cavalo xucro, e
transformá-lo em um bom animal de sela? Alguma vez vocês pelo
menos já tentaram imaginar os tipos de dificuldade enfrentadas por um
domador todos os dias, durante vários meses, no processo de doma de
um cavalo? Vocês sabem quanto tempo um cavaleiro precisa se
aperfeiçoar; para tornar-se um bom domador? E para finalizar tem
mais uma: Vocês sabem quanto vale esse trabalho, ou seja, qual é
o seu preço? Pois procurem se informar e vocês descubrirão os
motivos pelos quais os bons domadores realmente são uma “espécie” em
extinção.
Nota: o próximo texto é uma poesia escrita em 11/04/96 e transcrita
para o “Papo de Cavaleiro” em 13/11/01
*Montando cavalos de todas as cores
Montar cavalo alazão é uma indescritível sensação; montar cavalo
baio faz moça bonita ter desmaio; montar em cavalo branco não dá
pra sentir o tranco; montar cavalo da cor tordilha é bom como
dançar quadrilha; montar cavalo lobuno é melhor do que andar de
Fiat-Uno; montar cavalo rosilho só depois de lhe dar milho;
montar cavalo ruão é sempre uma diversão; montar cavalo da cor
preta; pode dar em alguma treta; montar cavalo pampa faz agente
ganhar estampa; montar cavalo castanho pode ser de qualquer
tamanho; enfim, montar a cavalo com amor não importa a sua
côr
No dia em que eu levei a poesia ao ar, pela rádio Barbacena AM,
iniciei o programa com a seguinte fala: Todo cavaleiro tem sempre
uma coisa em comum, o prazer de montar a cavalo. Em homenagem a
vocês, meus companheiros de sela, hoje eu vou recitar uma poesia que
tem o título: Montando Cavalos de Todas as Cores |
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20 - A Relação Cavalo / Cavaleiro
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Ainda existe por aí uma crença popular rotulando o domador de cavalos
como machão, aquele sujeito rude, valente, e até mesmo violento. Bom,
na verdade o domador racional deve ser o contrário disso que acabamos
de descrever. O cavalo é um animal muito sensível nos aspectos
psicológico e emocional, e sendo assim ele percebe detalhadamente
todas as nossas ações sobre ele. A parte física do cavalo só irá
corresponder de maneira eficiente aos nossos estímulos, se nós
soubermos cuidar bem da sua psicologia e colocarmos as suas emoções a
nosso favor. Mas como fazer isso? Essa é a questão ... Se
estivermos atentos o próprio cavalo nos dirá o que devemos fazer.
Ele não pode aprender a ter medo de nós, pelo contrário, devemos
ensiná-lo a confiar em nós. Esse processo é gradativo e realizado
através dos nossos procedimentos para com o animal, no relacionamento
diário. O domador precisa se esforçar para reunir várias
qualidades, se almeja algum dia ser reconhecido como profissional
competente. É necessário adquirir sensibilidade para aprendermos
a enxergar as exigências da relação psico-emocional cavalo/cavaleiro.
Para tal é indispensável estar sempre atento e reunir experiência no
convívio com esses animais. A paciência e a persistência também
são dois auxiliares dos quais nenhum bom domador pode abrir mãos.
Além disso, ser firme na transmissão dos comandos, e determinado a
atingir os objetivos propostos, farão com que os cavalos aprendam a
obedecê-lo e respeitá-lo. Não se esqueça: o cavalo é um espelho
que reflete a condição de quem trabalha com ele. |
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21 - Estado do Equipamento
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Certo dia eu conversava com o professor Jorge Baumgratz, veterinário
de primeira linha, cavaleiro experimentado, e ele me dizia: -
pois é, nessas cavalgadas que agente faz por aí a coisa anda feia,
cada cavaleiro esculhambando que só vendo! Uns com um estribo mais
alto do que o outro, outros usando tênis e sem camisa, a postura
então nem se fala, o sujeito vem tão dobrado em cima do cavalo,
parecendo até que é ele quem está carregando o peso, e não a
montaria. O jeito de segurar as rédeas é um Deus nos acuda, uns com
as mãos lá no alto quase esbarrando no queixo, quando o cavalo tem o
andamento um pouco mais firme, o sujeito balança tanto os braços que
nos dá a impressão de estar batendo as asas, se o vento vier a favor
corre o risco de levantar vôo. Tem também aqueles que vêm com os
braços esticados lá pra frente e as mãos juntinhas, se a gente
pusesse um botão de rosa na mão dele e apontasse o danado pro lado de
uma dama, ela ia até pensar bem do rapaz. O estado do equipamento
de montaria, aí então é um verdadeiro caos, a gente vê de tudo.
Cabeçada remendada com arame, rédeas arrebentadas, loros diferentes
com furação desencontrada, as correias de ajuste da cilha e
barrigueira ressecadas e trincadas, dá pra perceber que lá pro meio
da viagem aquilo tudo vai estourar. As mantilhas mal colocadas, o
sujeito nem se preocupa em olhar se elas estão bem divididas debaixo
da sela, e muito mais absurdos. Pois é pessoal, vocês estão
vendo, como o professor Jorge muitas pessoas estão reparando em nós
quando montamos a cavalo. E não é só por esse motivo, o nosso cavalo
acaba sendo o maior prejudicado, já que um equipamento danificado,
pode comprometer o seu desempenho e até mesmo provocar ferimentos ou
contusões na montaria e em nós também. |
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22 - Alimentação
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Tem muita gente por aí que confunde cavalo alimentado com cavalo de
barriga cheia. Mas qual é a diferença entre eles? Bom, é muito
fácil, pensem num atleta, um jogador de futebol por exemplo.
Vocês acham que antes de entrar em campo para uma partida, ele seria
bem sucedido se fizesse uma refeição completa? Com certeza não.
Com o estômago cheio e o metabolismo de digestão em atividade, o
jogador teria dificuldades de movimentação, e haveria riscos dele
passar mal, devido aos esforços físicos exigidos durante o jogo não é
mesmo? Toda vez que vamos utilizar o cavalo em algum trabalho,
certamente haverão esforços físicos da parte dele maiores ou menores
dependendo da atividade em questão. Muitos cavaleiros têm o hábito de
alimentar o cavalo antes do trabalho. O raciocínio dele é próximo ao
de um motoqueiro que enche o tanque da moto antes da viagem. Porém o
cavalo não é uma máquina, é um organismo vivo. Estejam certos de
que a fisiologia da digestão do cavalo não é favorecida com os
esforços físicos do animal no trabalho. O indicado é alimentar o
cavalo algumas horas antes do trabalho, ou depois dele. Também não se
deve submeter o animal ao trabalho, após longos períodos de jejum,
pois ele terá que gastar as suas reservas orgânicas, e sofrerá um
desgaste maior. Use o bom senso companheiro, coloque a cabeça
para funcionar, e aproveite melhor o potencial do seu cavalo. |
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23 - Organização
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Um dos maiores problemas que eu pude identificar nas minhas andanças
por haras e fazendas de várias regiões desse nosso Brasil, é a falta
de organização nos locais de trabalho como: depósitos de ração,
cômodos de guardar equipamentos, farmácias veterinárias, cocheiras,
etc. Certa vez quando eu prestava assistência à Sociedade
Paulista dos Criadores do Cavalo Campolina, nós conseguimos
economizar em apenas um haras, 55 sacos de ração, mensalmente, após
organizar e acabar com o desperdício. Acreditem se quiser ... O
prejuízo decorrente da desorganização é absurdo. O descuido com
os equipamentos, maquinário, e ferramentas de trabalho têm como causa
principal a falta de orientação e de educação profissional das
pessoas que trabalham nesses locais. Muitos equipamentos são
estragados ou descartados simplesmente por falta de manutenção
adequada. Em linguagem mais técnica, nós chamamos isso de
desqualificação profissional. A condição apresentada pelos locais de
trabalho, o estado de conservação das ferramentas e equipamentos, e a
aparência dos animais, sempre revelam muito sobre a competência do
trabalhador. Não adianta somente executarmos as nossas
obrigações, precisamos nos esforçar para fazer o nosso trabalho da
melhor maneira possível. Esta é uma das formas de mostrarmos que
somos profissionais competentes. E aí companheiro, que tal começar
pela organização? |
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24 - Ajudas
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E o que são as “ajudas” do cavaleiro? Bom, “ajudas” são todos
aqueles recursos que o cavaleiro utiliza, com a intenção de ser mais
eficiente no domínio e na condução de sua montaria. Ritmos,
velocidades, direções, paradas, arrancadas, recuos, entre outros, são
aspectos solicitados, mantidos ou alterados com a ação das “ajudas”.
Para melhor entendimento, nós podemos dividir as “ajudas” em dois
grupos, as naturais e as artificiais. Alguns exemplos das naturais:
comandos de voz; ação das pernas; movimentos do cavaleiro na sela;
etc. “Ajudas” artificiais: rédeas; pingalim; esporas. A
ação correta das “ajudas” é, para o cavaleiro bem preparado, um
extraordinário instrumento de condicionamento do cavalo. Havendo
conhecimento e domínio desses mecanismos de comunicação, será mais
fácil para o cavalo, entender e corresponder aos nossos estímulos.
Infelizmente o que temos visto por aí, é o mal uso ou a utilização
inadequada das “ajudas”, por falta de bom senso ou de conhecimentos
técnicos. Algumas “ajudas” como o pingalim, o chicote, ou as esporas,
têm sido confundidos com aceleradores e muitas vezes transformados em
instrumentos de tortura. Isso é um grande engano, no próximo programa
continuaremos falando um pouco mais sobre as “ajudas”, até lá! |
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25 - Mais Ajudas
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Voltando a falar sobre as “ajudas”, é preciso dizer que elas devem
assumir o papel de estabelecer e tornar mais eficiente a comunicação
entre cavalo e cavaleiro. Com a ação da “ajuda” o cavaleiro está
enviando uma mensagem que o animal deverá aprender a interpretar e
responder pronta e rapidamente. As “ajudas” não são instrumentos
de tortura idealizados para causar dores e sofrimentos aos cavalos,
se isso acontecer é porque quem está fazendo uso desses acessórios,
não tem o menor conhecimento sobre a função deles, nem sobre como
utilizá-los. O cavalo aprende através do condicionamento dos seus
reflexos neuromotores. Isso seria mais ou menos o seguinte:
Imaginem um cavalo que recebe uma chicotada todas as vezes que ele se
assusta com um objeto estranho (é muito comum acontecer isso com os
potros, no início da doma). O que vai acontecer com este animal, é
que todas as vezes que ele se deparar com algo estranho,
automaticamente ele ficará assustado ou nervoso, agora não mais
somente porque o objeto é estranho, mas também por saber que será
chicoteado, (criou-se o reflexo condicionado). Este será um forte
candidato a ficar “passarinheiro”, termo usado para cavalos que se
assustam com freqüência e por motivos sem importância. Se ao
contrário de bater no cavalo, nós o levássemos com paciência até o
objeto não identificado, daríamos a ele uma chance de entender a
situação, o que lhe traria uma sensação de confiança e tranqüilidade.
Em poucos dias o potro não mais daria atenção a esses objetos
estranhos, mantendo-se concentrado e confiante em seu cavaleiro.
Aí o sujeito me perguntou: - como é essa estória de que chicote e
espora não machucam o cavalo? É claro que machucam, vai lá em
casa que te mostro o estrago! Eu respondi a ele: preste atenção!
Se nós colocarmos uma faca bem afiada na mão de um bandido que está
preso na cadeia, no que ela vai se transformar? Ele respondeu: -
ora, numa arma mortal! Eu prossegui: muito bem! Mas se nós
pusermos essa mesma faca nas mãos de um açougueiro, no que ela vai se
transformar? E ele retrucou: - uai, numa ferramenta de trabalho.
Então eu arrematei: pois é companheiro, o problema não é a
ferramenta, mas por quem e de que maneira ela é utilizada ...! |
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26 - Atitudes
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Eu testemunhei muitas vezes, atos de imprudência de cavaleiros com seus
cavalos, que acabaram resultando em acidentes trágicos. Fraturas
graves, traumatismos cranianos, danos irreversíveis na coluna
vertebral, e até mesmo algumas mortes, marcam presença numa lista
considerável de lamentáveis ocorrências, provocadas, na maioria das
vezes, por abusos na utilização do cavalo. O outro fator que não
podemos deixar de ressaltar, é o uso de bebidas alcóolicas durante a
prática da equitação. O exercício da equitar, exige de nós atitudes
compatíveis à atividade. Por exemplo: não é difícil perceber que para
termos controle das ações da equitação, precisamos estar com os nossos
reflexos, coordenação motora, equilíbrio, entre outros aspectos, todos
em perfeito estado. Caso contrário a pessoa estará se expondo a riscos
desnecessários. Além de estar com as condições neuromotoras alteradas,
em estado alcoolizado geralmente abusa-se da sorte e comete-se atos
irresponsáveis de todos os tipos. Aproveite as dicas, pense sobre
suas atitudes, e evite problemas que além de irreverssíveis, podem por
fim à sua alegria de viver |
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27 - O Bom Ferrageador
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O vocabulário do cavaleiro muitas vezes emprega termos equivocadamente.
Um deles é a palavra ferrar. Quando vamos colocar ferraduras em um
cavalo, o termo correto é ferragear e não ferrar. Mas o que é
preciso para ser um bom ferrageador? Anote aí: - saber fazer a
contenção do animal no momento do serviço, em outras palavras, saber
segurar as patas do cavalo sem atos de agressão; - ter boas
ferramentas, próprias para a tarefa, e manuseá-las de forma correta e
eficiente; - dominar o conhecimento sobre as técnicas de aparação
dos cascos e do ferrageamento; - ter experiência no serviço, algo
que se adquire através da orientação dada por outros profissionais, e
da prática frequente; - paciência, perceverança, e um bom preparo
físico, pois a atividade exige grande esforço por parte do
profissional. Preenchendo esses requisitos estaremos preparados
para atuar como um bom ferrageador. Você não vai continuar sendo um
ferrador, que é aquele sujeito que por falta de preparação e de bagagem
técnica, acaba realmente ferrando, o cavalo e o dono também! |
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28 - Alimentação
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Vocês já repararam a diferença entre um potro e um bezerro mamando?
Pois é, o bezerro mama por um tempo prolongado até ficar com a barriga
cheia. Com o potro podemos observar que ele mama menores quantidades
com maior frequência. Existe uma grande diferença entre os sistemas
digestivos do boi e do cavalo. O cavalo é um monográstrico, ele tem
um só estômago, que é pequeno com relação ao tamanho do animal. O boi é
um ruminante, com grande volume de estômago, o qual é subdividido em
quatro compartimentos. Um dos nossos principais erros é querer
alimentar o cavalo da mesma maneira que alimentamos um boi. Esse é um
dos motivos das cólicas gastro-intestinais que ocorrem em cavalos,
principalmente aqueles que “vivem”confiinados em baias. O boi tem
capacidade para ingerir grande quantidade de alimento em um tempo
reduzido, para depois processá-lo pouco a pouco por meio da ruminação.
Já o cavalo precisa fazer uma ingestão contínua de pequenas
quantidades, isso quer dizer, comer aos poucos e com muita frequencia.
É isso aí cavaleiro, comece a observar mais o comportamento dos
animais, ele pode nos ensinar muita coisa. |
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30 - O Seu Cavalo
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Não é difícil encontrar por aí, cavaleiros reclamando dos seus cavalos.
Maus comportamentos e uma série de defeitos funcionais, fazem parte
de uma significativa relação de reclamações. Como já dissemos
noutras oportunidades, o cavalo é nosso espelho, sempre refletindo as
nossas ações sobre ele. Daí a importância de revermos a nossa conduta e
repensarmos as nossas atitudes durante o manejo. O cavalo pode ser
comparado a um instrumento de medição, capaz de avaliar a condição de
quem trabalha com ele. Mais do que isso, ele revela a todos, o estado
de equilíbrio não só físico, mas também e principalmente, o psico-
emocional do seu cavaleiro. Este é um dos motivos da necessidade
inadiável, de qualificação profissional da mão de obra que trabalha com
cavalos. Se o cavalariço ou cavaleiro não estiverem bem preparados,
o cavalo jamais revelará todo seu potencial. Nas arcaicas escolas
de formação de cavaleiros, as famosas “Ordens dos Cavaleiros”,
costumava-se dizer: “traga-me seu cavalo para que possamos saber quem
você é ...! |
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31 - Equitação
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Outro dia me perguntaram: - qual a diferença entre montar a cavalo e
equitar? Eu respondi: realmente são duas atividades bem diferentes.
Montar a cavalo é algo que qualquer pessoa com o mínimo de intimidade
com esse animal e um pouco de equilíbrio, pode fazer. Já, na equitação,
a situação é outra. É preciso adquirir uma série de conhecimentos
técnicos e muitos condicionamentos de ordem física, psíquica, e
emocional. A equitação quando praticada corretamente é um esporte
completo, onde nos cabe conhecer e desempenhar com eficiência, os
fundamentos. Montar a cavalo sugere uma atitude passiva, e o
“cavaleiro” assume características mais de passageiro do que de
condutor . Equitar é uma ação totalmente ativa, e aqui o cavaleiro
é convidado a exercer toda sua capacidade de domínio e liderança sobre
a montaria, além de comandar todos os movimentos, ritmos; velocidades,
e sensações do cavalo. A equitação para ser completa deve ser
praticada como esporte, ciência, e acima de tudo como arte. Talvez
o mais difícil para nós seja, num mesmo instante, termos que reunir as
virtudes de um atleta, um cientista, e um artista. |
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32- Que tipo de haras é o seu ?
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Nas minhas andanças pelo Brasil eqüestre, eu conheci basicamente
três tipos de haras. O haras reprodutivo é aquele que reúne animais
de determinada raça, destinando-os à reprodução, com objetivo de
comercializar os produtos. Aqui os animais não são trabalhados.
Outro tipo, é o haras estético, onde a maior preocupação é a aparência,
tanto no que diz respeito aos animais, quanto as instalações. Os custos
são altos na manutenção de uma “maquiagem” que visa impressionar pelo
visual. Apesar de serem bem cuidados, os animais nem sempre são
trabalhados . Temos ainda o haras funcional, que busca apurar a
qualidade dos seus animais conforme as diretrizes da raça, considerando
a funcionalidade como critério de seleção. Neste caso os animais são
trabalhados. Mas o que significa trabalhar o cavalo? Em resumo,
seria submetê-lo aos vários condicionamentos necessários, objetivando
capacitá-lo para o desempenho das suas funções. E então meu amigo
criador de cavalos, que tipo de haras é o seu? |
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33 - Manqueira
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E o cavalo aparece mancando justamente hoje, véspera de cavalgada
... No mesmo instante o sujeito pensa: - preciso chamar o
ferrageador e mandá-lo pregar ferraduras. Em quase todas as vezes
que o cavalo aparece mancando, temos a tendência de imaginar que o
problema está no casco, e que a solução é a colocação de ferraduras.
Tome cuidado com este tipo de raciocínio, às vezes podemos nos enganar.
O sistema de sustentação e locomoção do cavalo, é composto de uma
série de estruturas, estre elas: ossos, articulações, tendões,
ligamentos, músculos, e obviamente os cascos. Todas essas estruturas
podem ser afetadas por vários tipos de problemas como os traumatismos,
as distenções, estiramentos, contrações, etc, os quais têm como causa
muitos fatores variáveis. Portanto seja mais cuidadoso na hora de
investigar o motivo da manqueira do seu cavalo, em alguns casos, a
colocação de ferraduras pode prejudicar a recuperação, e até mesmo
piorar os sintomas inicialmente observados. Boa sorte, e até breve!
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34 - Segurança no trabalho
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Hoje vamos falar um pouco sobre a segurança no trabalho, para os
profissionais do setor de eqüideocultura. Muitos acidentes, e
alguns deles com conseqüências graves e irreverssíveis, são
decorrentes de descuidos, falta de atenção, ou da não utilização de
procedimentos e ou equipamentos adequados. A tendência natural de
todos nós, é ficarmos desatentos e displicentes, à medida em que
ganhamos intimidade com relação à atividade que executamos. É
justamente aí onde mora o perigo ... Em se tratando de cavalos,
devemos estar sempre atentos, e cuidar para que todas as providências
sejam tomadas no sentido de resguardar a nossa segurança, e a dos
animais com os quais trabalhamos. Muitas vezes eu já presenciei
cavalariços trabalhando descalços, usando chinelos, vestindo
bermudas. Esses são fortes candidatos a se machucarem durante o
trabalho. O uso da vestimenta apropriada deve ser a primeira
preocupação de quem trabalha com cavalos. Outro problema comum é
a distração na hora do manejo. O cavalariço desatento está se
arriscando constantemente. Entre vários casos conhecidos eu vou
citar um em que o tratador foi entrar na baia de um cavalo que
cochilava em pé, e com a garupa voltada para porta. Era noite e o
rapaz resolveu verificar se havia água no bebedouro. Ele abriu a
parte debaixo da porta da baia, abaixou-se, e ao entrar esbarrou no
cavalo, este assustou-se e deu um coice que acabou acertando a cabeça
do infeliz. Resultado: o sujeito caiu “mortinho da silva”. Portanto
meu amigo, todo o cuidado é pouco, preste mais atenção durante o seu
trabalho. Use as vestimentas e equipamentos adequados, e mantenha o
estado de alerta. Essas providências podem preservar a sua
integridade física, e até mesmo a sua própria vida. |
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35 - O tempo certo
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“A pressa é inimiga da perfeição ...” No que se refere ao cavalo,
essa frase é uma grande verdade. Nos processos de
condicionamento dos cavalos, os bons resultados requerem tempo e
muito trabalho. A preparação física é um deles. Imaginem um
cavalo que está sendo domado, sabemos que ele nunca carregou outro
peso além do seu próprio corpo. Os seus sistemas, ósseo, muscular,
cardíaco, respiratório, entre outros, precisarão se adaptar aos novos
esforços exigidos, e para tal será necessário algum tempo e alguns
cuidados por parte do seu cavaleiro. A maioria dos domadores e
dos cavaleiros, costuma exigir performance das suas montarias, sem
avaliar se elas estão preparadas para corresponder. Muitas contusões,
estiramentos musculares, problemas com tendões, ligamentos,
articulações, etc, são de condicionamento físico. Precisamos
compreender que esse preparo será resultado de um processo gradativo,
a ser conduzido pelo cavaleiro. Nós não precisamos ser
especialistas no assunto, havendo bom senso e algum critério de
avaliação durante os treinamentos do cavalo não será difícil
contribuir para a preparação física básica da nossa montaria.
Lembre-se de que cada cavalo, assim como nós, tem a sua própria
constituição física e a sua maneira de responder aos treinamentos.
Respeite os limites de cada um e seja paciente na obtenção dos
resultados. |
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36 - O que significa Manejo ?
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Um ouvinte do “Papo de Cavaleiro” pergunta-nos: - o que
significa manejo? Manejar de acordo com os dicionários, significa
utilizar ou tratar com as mãos. Pela própria definição percebemos que
manejar o cavalo refere-se ao ato de entrar em contato físico direto
com ele. Através do toque de mãos é possível transmitir ao cavalo,
as nossas intenções para com ele. O seu apurado senso de percepção e a
sua sensibilidade captam rapidamente os nossos sentimentos. Medo,
nervosismo, agressividade, tranqüilidade, espontaneidade, entre outros
comportamentos, podem ser percebidos pelos cavalos mesmo antes do
contato físico. Aqui pode-se notar a importância do preparo daqueles
que manejam esses animais. Portanto a qualificação profissional dos
cavalariços que trabalham nos haras, centros hípicos, pensionatos
eqüestres, é indispensável. Além da formação do pessoal da lida com
os animais, também precisamos estar conscientes da necessidade de
oferecermos a ele bons exemplos através da nossa forma de proceder com
os animais. Alguém já disse: “um bom exemplo, vale mais do que
mil palavras”. |
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37 - O Instinto gregário
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Hoje vamos falar sobre uma das características inatas do cavalo,
o instinto gregário. Mas o que vem a ser isto? Cavalos são
animais que vivem em agrupamentos sociais, ou pelo menos viviam,
antes da intervenção do homem. Todo aprendizado do cavalo vinha do
convívio com seus semelhantes. Através do exemplo dos mais velhos e
mais experientes, os animais jovens iam adquirindo maturidade para o
enfrentamento da vida e garantia da sua sobrevivência. O cavalo
domesticado, principalmente aquele que vive em regime de
confinamento, está perdendo muitas habilidades naturais, e sobre tudo
a rusticidade, que poderia ser traduzida como uma capacidade de
adaptação às variações das condições do meio ambiente, justamente em
decorrência da falta de convivência natural com a sua espécie, e do
excesso de proteção imposto por nós homens. No cavalo, o instinto
gregário é tão forte, a ponto de superar os seus instintos de
conservação, e de fuga. Por exemplo: ele é capaz de atirar-se
precipício abaixo com a intenção de acompanhar a sua manada (indo
contra o seu instinto de preservação); ou manter-se junto aos seus,
ao invés de fugir frente a uma ameaça (contrariando o instinto de
fuga). É isso aí companheiro, precisamos estudar mais o
comportamento natural dos cavalos, dessa forma será mais fácil
compreendê-los, e sendo assim poderemos oferecer-lhes uma convivência
mais compatível com suas necessidades originais.
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38 - A indústria do cavalo
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A indústria do cavalo representa hoje, parcela significativa da
economia nacional e mundial, não só pelo grande número de pessoas
empregadas no setor, mas principalmente pelo volume de capital
movimentado por suas inúmeras atividades. Exemplos como turfe,
circuito de rodeios; as indústrias de artefatos e equipamentos
destinados ao uso do cavalo; fábricas de ração e de produtos
veterinários; etc, são indicadores concretos da força econômica da
indústria do cavalo. Mas e o cavalo como “produto comercial”,
será que ele tem conquistado seu espaço no mercado consumidor?
Não há muito tempo chegou ao Brasil o Quarto de Milha, uma raça de
cavalos norte-americana. Consigo trouxe competência funcional, “know
how” de criação e manejo, profissionais preparados e um “marketing”
forte. Atualmente essa raça tem mais adeptos em nosso país, do
que as nossas próprias raças. Mas qual o motivo de tanto sucesso?
Todo processo de seleção do Quarto de Milha está fundamentado na
função do cavalo. O objetivo dos criadores norte-americanos, é o
aprimoramento das aptidões e funções daquele que é chamado por eles,
de o cavalo mais versátil do mundo. Certamente eles souberam adotar
ao pé da letra um velho ditado conhecido nosso: “cavalo bom, é o que
cerca o boi na hora ...” Mas talvez a principal vantagem da raça,
tenha sido a preocupação com a qualificação profissional do pessoal
envolvido na criação, manejo e treinamento dos animais. A
desqualificação da mão de obra eqüestre, tem prejudicado muito a
eqüideocultura brasileira. Um bom cavalo precisa ser bem criado, bem
manejado, bem educado, e bem treinado. Para isso, são fundamentais os
profissionais capacitados. |
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39 - Tenaz
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Uma das ferramentas mais extraordinárias inventadas pelos
ferreiros, é o tenaz “bico de pato”, também conhecido como “jacaré”.
Ele é um arrebitador de cravos, que serve para dobrar os cravos e
ajustar a ferradura, após o cravejamento. Além dele possibilitar um
trabalho rápido e eficiente, ainda tem a vantagem de não causar
incômodos aos animais. A outra forma usada para fazer o
arrebitamento dos cravos e ajuste da ferradura, é realizada com o
martelo e torquês, onde o ferreiro apóia a ponta cortada do cravo, com
o torquês, e rebate com o martelo. Esse procedimento é doloroso
para o cavalo, pois as pancadas fortes do martelo, sobre a ferradura,
provocam grande impacto, o qual é sentido pelo cavalo, nas estruturas
internas do casco. Geralmente é neste momento que os animais ficam
inquietos, e adquirem traumas com relação ao ferrageamento.
Portanto companheiro, trate de se informar melhor, e quando possível
renove seu quadro de ferramentas. Essa providência poderá tornar seu
trabalho mais eficiente, mais seguro, e sem prejuízos para o cavalo.
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40 - Ferramentas e equipamentos de trabalho
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Precisamos estar atentos para manter nossas ferramentas de
trabalho, sempre em bom estado de conservação. Isso não é
difícil, é só adquirirmos o bom hábito de fazer sua manutenção
periodicamente. Quem de nós ao terminar um serviço de
casqueamento ou de ferrageamento, tem o cuidado de limpar,
lubrificar, e embalar adequadamente as ferramentas? Certamente a
maioria de nós não faz isso. O correto é, ao final da tarefa,
promovermos a limpeza de cada ferramenta, lubrificarmos as que forem
necessárias, protegê-las com bainhas, ou simplesmente envolvendo-as
em panos de flanela, guardando-as em uma caixa de ferramentas ou numa
prateleira. Esses cuidados não só o ajudarão a manter as ferramentas
em bom estado, mas sobre tudo aumentarão nossa eficiência no
trabalho, já que poderemos ser mais precisos e rápidos, fazendo uso
de boas ferramentas. Aí o sujeito fala: - essa conversa é
papo furado, eu não tenho tempo para essas bobagens. Se eu for parar
o serviço para limpar ferramentas o dia passa ... E por aí vai
... Obrigo-me a dizer que os bons profissionais muitas vezes
podem ser identificados pelo cuidado que dispensam às suas
ferramentas e equipamentos de trabalho. Mas tudo bem companheiro,
continue trabalhando com ferramentas mal cuidadas, quem sabe qualquer
dia desses o patrão resolve comprar outras novas, para recompensar o
seu capricho ...!! |
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