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Desvendando o Enigma do Centauro
Desvendando O Enigma do Centauro - Parte II
 
CAVALIER RESPONDE

PERFIL Cel Carlos Alberto Bastos Moreira (Cavalier)

Segundo me contaram, meu pai, que era um oficial de cavalaria, me colocou a cavalo aos 6 meses de idade (no colo), para desespero de minha mãe.

Cavalos sempre me impressionaram, quando criança. Minha avó me contava que meu avô (também oficial de cavalaria, prematuramente falecido) teria tido um cavalo branco chamado Eclero e que chegava nele até quase dentro de casa. Aquilo me impressionava muito...

Aos treze anos de idade comecei a montar mais seriamente, a partir de aulas de "volteio" e outras instruções chamadas de utilitárias. Pequenos saltos também comecei por esta época.

Recebi oficialmente minhas esporas aos 22 anos, em solenidade tradicional na Academia Militar, após um percurso de cross sob chuva torrencial. Cogitou-se até da festa ser adiada, mas como o dia amanheceu dando indícios de melhora e como muita coisa já tinha sido feita (convidados diversos haviam chegado) deu-se a partida.

Os tombos se sucediam, geralmente para o conjunto inteiro - cavalo e cavaleiro Tendo sido um dos poucos que concluíram o percurso, até logrei uma classificação. Este teria sido o meu mérito: não cair - só este, pois havia gente bem melhor do que eu competindo, mas que não acabou o percurso.

Guardo deste dia emocionante recordação: havia um barranco muito íngreme a ser descido e lama pura. Ali foi um ponto de muitas quedas. Subia-se a galope por um lado e encontrava-se a descida do outro. Ao chegar ao topo do barranco, tentando segurar o cavalo para descer (ele vinha quente pelo desenvolvimento do cross), escutei aquela voz vindo do mato, do meio da vegetação marginal ao barranco: -- "Apóia e senta! Apóia e senta !”. No sufoco da hora ainda visualizei a figura de meu pai, todo molhado, escondido no mato... ele entrara na pista.

Com o recebimento destas esporas fui "sagrado" cavaleiro, nos moldes da tradição de então.

Não obstante o século dezenove já haver se findado há muito desde aquela época, havia uma parte de nossa instrução que preservava o trato d'armas dos antigos (como tradição e cultura de cavalaria). De modo que também fui iniciado na esgrima a cavalo e no manuseio de sabre, lança e espada ao galope.

Era uma coisa meio surrealista, posto que, se pela manhã estava estudando cálculo integral e calculando a equação de uma represa, pela tarde participava de cargas de cavalaria e praticava os golpes cortantes e os perfurantes, contra bonecos, segundo a doutrina francesa de 1870...

Como oficial formado, participei de diversas competições e temporadas, numa época em que a excelência da equitação desportiva ainda provinha dos militares. De modo que, ainda jovem, me batia constantemente contra nomes consagrados, muito bem montados... era difícil para mim. Entretanto, ao mesmo tempo, pude usufruir do convívio destas mesma pessoas e aprender com elas.

Por essa época iniciei, por mim mesmo, um trabalho baseado na recompensa imediata ao cavalo (coisa totalmente desprezada naquele tempo) e outras heresias mais. A coisa começou a dar certo e comecei a marcar presença no final dos desempates nas provas de potência.

Pelos resultados alcançados consegui minha indicação para cursar a Escola de Equitação do Exército, coisa muito difícil de se obter naqueles anos. Freqüentei este admirável curso até quase o final. Embora fosse a terceira maior média da turma, fui obrigado a pedir meu trancamento de matrícula daquele estabelecimento de ensino ao receber um convite irrecusável para participar de um projeto de grande interesse para o exército e para a indústria nacional.

De lá para cá sempre montei e fiz cavalos. Descobri que minha grande satisfação não se constituía na vitória, mas sim na interação com o cavalo, no processo do seu desenvolvimento.

Durante uma época, involuntariamente, acabei como um psicólogo de cavalos acuados, mormente PSI do Jóquei. Lembro-me de Resgate, que não partia nem com choque elétrico. O dono comprou barato num leilão, devido a isso. Acabou fazendo dois CCE comigo. De 1980 para cá nunca entrei numa prova, fosse qual fosse (salto, completo ou adestramento) que não tivesse sido com um cavalo feito por mim. Se ganhei ou perdi , pouco me importou. Meu prazer foi o de ver o cavalo ser bem apresentado.

O que sei não me pertence. Aprendi com alguém ou com alguma experiência vivida. Minha grande satisfação atualmente é repassar conhecimentos aos mais jovens, naquilo que conheço - e que qualquer um pode conhecer, desde que se dedique.

Sobretudo aprendo com cada pergunta, aprendo com todos. O importante não é ter todas as respostas, mas sim compreender todas as perguntas.

Cavalier

P.S.Para esta coluna, selecionarei algumas respostas a consultas encaminhadas pelos participantes do Fórum Desempenho. Caso o leitor queira fazer perguntas sobre equitação e treinamento de cavalos, deverá se inscrever no Fórum, na home deste site, e encaminhar sua mensagem.

CAVALIER RESPONDE
- Confiança no cavalo
- Sobre a motivação do cavalo
- O Correto Encilhamento
- Levantando o Véu
 

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