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Desvendando o Enigma do Centauro
Desvendando O Enigma do Centauro - Parte II
 
O TRABALHO DE DOMA E ADESTRAMENTO, RACIONAIS, É ANTERIOR AO TRADICIONAL?

O cavalo pré-histórico media pouco mais de quarenta centímetros de altura. Para os nossos antepassados deve ter servido, primeiro, de alimento (carne e leite), depois, de companhia, como um animal de estimação igual ao cão. Mais tarde, deve ter sido usado para tração e, por fim, como montaria. A primeira pergunta que o caçador faz a si mesmo, ao se deparar com um animal estranho é: “Será que é bom para comer?” Porque o primeiro instinto é o de se alimentar e se manifesta já no primeiro minuto de vida, ao nascer, quando o bebê suga o seio materno, e mesmo dentro do útero quando chupa o seu próprio dedo.

Bjarke Rink observou: “É provável que a equitação tenha sido desenvolvida pelos nômades, com o objetivo de controlar o movimento dos seus bandos de cavalos – assim como o vaqueiro controla a manada de bovinos montado a cavalo. Além da velocidade para perseguir o bando em disparada: os animais aceitam melhor serem direcionados por homens montados a cavalo do que por homens a pé”.

Assim enquadrado, o cavalo deve ter convivido com o grupo familiar e o bando desde o nascimento até a morte, por milhares de anos – no mínimo cinqüenta mil. Os próprios árabes, na Idade Moderna, criavam-nos junto com as crianças da tribo. Quando ficavam adultos já estavam amansados, prontos para serem montados, sem quebrar queixos nem sofrer outras violências. Quem inventou domar o cavalo debaixo de pau e laço foram os povos que não conviveram com ele, como o gaúcho, por exemplo, milhares de anos depois dos africanos e dos europeus. Olhado como desconhecido, o cavalo foi tratado com severidade e o seu grande tamanho inspirou medo. (O tamanho intimida. É para aparentar maior tamanho e intimidar o adversário que os mamíferos peludos eriçam o pêlo quando ficam brabos ou com medo: um blefe. É o Blefe Fundamental, ou o Grande Blefe, porque provavelmente a ele devemos a nossa existência. Esta necescidade de sobrevivência usando o recurso da intimnidação continua nos tempos modernos, quando o homem veste um fardamento, usa um quépi, coloca uma gravata, aumenta a espessura das solas dos sapatos, usa barba. O próprio engrossamento da voz, característica dos machos e proporcionada pela testosterona que aumenta o tamanho do aparelho fonador, é para intimidar, porque a indimidação é a primeira arma de subsistência. A luta vem depois. E só quando é absolutamente necessária. O mito do herói é produto da cultura).

Conhecido apenas como se conhece um inimigo, sempre vestido com as roupagens da intimidação que cria chifres e garras como é a imagem do diabo da religião católica, o cavalo foi tratado com severidade e violência. Todo o tipo de violência tem embasamento na ignorância e no medo. É assim que se formam os preconceitos.

***

O acampamento de pesca foi na nas margens da Lagoa dos Patos, em Tapes.

À tardinha, chega o amigo Wilson Noschang, grande companheiro de acampamentos de pesca e de caça. Caçador de marrecão como ele, ainda não nasceu! No tempo em que a quota era sessenta peças, saia do acampamento e entrava no banhado com sessenta cartuchos na cartucheira e voltava com sessenta marrecões enfileirados numa corda, arrastados, flutuando, sobre a superfície da água.

Na carroceria da camioneta trouxe, vivas, uma ovelha e duas galinhas caipiras, maneadas. As aves, para o arroz-com-galinha do almoço do dia seguinte; a ovelha, para o churrasco de logo mais.

Enquanto tomávamos uma cervejinha gelada – acampamento sem cerveja não tem graça – ao redor do fogo de chão – acampamento sem fogo tem menos graça ainda – ouço o cacarejar alarmado das penosas sendo perseguidas. O Fabrício, então com cinco anos de idade, tentava pegar uma delas, armado com uma faquinha de mesa. Alguém o tinha colocado na carroceria, porque era tão pequeno que sozinho não teria conseguido subir.

O Wilson segurou o meu filho pelo braço e, apontando para a ovelha, disse: “Fabrício. Por que é que tu não carneia aquela ovelha alí, em vez da galinha?” O menino aproximou-se do bicho, analisou bem, avaliou o tamanho e respondeu, com medo: “Ela é muito grande, tio!”

Não resta dúvida: o tamanho intimida. Intimida desde meninos com cinco anos de idade, trazidos pelo pai em pescarias, até barbados metidos a valentes domadores que desmaiam vendo sangue, mas disfarçam o seu medo com a violência, batendo nos mais fracos: nos filhos, na mulher... e nos cavalos.

 

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