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Desvendando o Enigma do Centauro
Desvendando O Enigma do Centauro - Parte II
 
MOVIMENTO NACIONAL ANTI-CÓLICA

por Gustavo Braune
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( palavra chave – movimento , moto perpétuo )

O dia 19 de janeiro de 2003 está marcado por duas ações em favor da reflexão sobre a vida na terra. O mais famoso grupo de rock de todos os tempos -The Rolling Stones - anuncia publicamente que fará um show gratuito ao ar livre em Los Angeles a fim de reacender as chamas acesas no acordo de Kyoto – Japão , onde os líderes mundiais foram tratar da emissão de calor sobre a terra e suas drásticas conseqüências atuais e futuras.

Simultaneamente, no Brasil, é lançado, na Escola Desempenho de Equitação em Cachoeiras de Macacu / RJ, o Movimento Nacional Anti-cólica, que trata do excesso de calor formado no abdome e na cabeça de seus instrumentos de evolução biológica, os cavalos.

Apesar da distância física e da diferença do foco, os dois grupos falam na essência da mesma coisa: a insistência da postura antropocêntrica dos seres da nossa espécie.

É fundamental agora absorvermos a idéia de que Ecologia e Economia são filhos do mesmo parto e que isso garante a vida sobre a terra há mais de 3 bilhões de anos.

Para encurtarmos o caminho entre a Inteligência Biológica e o Movimento Nacional Anti-cólica, faremos uma viagem pela cavidade oral do cavalo fazendo nossa primeira conexão entre a sua ecologia e a economia da mastigação.

Há cerca de 58 milhões de anos, o ancestral do cavalo vem aperfeiçoando seus dentes no tamanho e formato adequados a permitir que mastigue entre de 3 e 4 mil vezes em apenas uma hora, produzindo cerca de 40 litros de saliva por dia. Esta saliva, riquíssima em sais minerais, será reciclada na usina digestiva do intestino delgado, retornando ao metabolismo e fomentando a formação de cerca de 60 litros de água que será parte absorvida para os órgãos e parte acumulada na câmara de fermentação, o intestino grosso.

Mas essa economia é apenas uma tímida parte do potencial que esse santuário ecológico, a cavidade oral (onde você, equitador, coloca o freio ou o bridão ) pode oferecer.

Porque será que as glândulas Adrenais ficam sobre os rins, e os testículos ficam na bolsa escrotal? Pelo mesmo motivo que a glândula tireóide fica na garganta – por pura Economia Biológica.

A tireóide é uma glândula dividida em dois compartimentos laterais à traquéia, unidos por um eixo que se liga à região posterior da língua. Esse instrumento de extrema Inteligência Biológica está pronto para funcionar após o nascimento de todos os mamíferos. Nos herbívoros, esse eixo se desenvolve na proporção direta do crescimento, enquanto nos carnívoros esse eixo vai se atrofiando.
O que a biologia quer dizer com isso ?
Carnívoros em amamentação utilizam seus movimentos bucais como instrumentos de nutrição e, quando adultos, quase não mastigam – sua mandíbulas são poderosos instrumentos de apreensão e luta. Não há identidade bioquímica entre os momentos do ataque e do metabolismo nutricional. Ligar os circuitos da tireóide naquele momento seria um ruído na comunicação entre os sistemas. Fica mais fácil agora entender a razão e a real importância dos movimentos mastigatórios para os cavalos.

Vejamos agora até onde o refinamento biológico programa o equilíbrio ecológico dentro da cadeia alimentar: a glândula tireóide (funcionando livremente), dentre uma centena de funções bioquímicas, tem a propriedade de participar da transformação de carboidratos em energia, com mínima produção de calor. É esse mesmo calor bioquímico que limita os grandes felinos (predadores naturais dos cavalos ) a obterem apenas 1 sucesso entre 10 tentativas de ataque. Após correrem uma limitada distância, suas cabeças fervem e não mais conseguem decifrar a imagem de sua presa, e são obrigados a parar.

Quando restringimos a oferta, aos nossos cavalos, do alimento volumoso e da mastigação livre e quase constante (o moto perpétuo), eles acabam estimulando pouco sua glândula tireóide. Numa tentativa de reativá-la eles mastigarão portas de baias, comerão a cama e as próprias fezes. Mas, como bons predadores que somos, colocamos pregos nas portas das baias, lhes atamos coleiras e focinheiras, molhamos a sua cama com creolina, etc. Sem recursos, os cavalos tomam a consciência biológica da sua vulnerabilidade e enviam sinais em forma de dor abdominal como verdadeiros códigos biológicos.
Com nossa inteligência cultural, oferecemos a eles medicamentos contra dor e, quando tudo passa, a mesma solidão biológica volta a ocupar suas vidas. Assim, num ato de trégua, como se estivessem numa infinita guerra religiosa, morrem, muitas vezes, antes de completarem todas as mudas dos dentes – dentes que são verdadeiros instrumentos de alta tecnologia biológica em favor de uma longevidade capaz de fazê-los viver além dos 30 anos.

Quando fui apresentado por Bjarke Rink ao Centauro, pude ver o quão é diferenciado o valor do momento presente para os animais, muito mais do que para nós. Essa mensagem me ensinou que interferir contra a fisiologia eqüina é restringir seu convívio com o momento presente - a verdadeira essência do Centauro.

No próximo artigo, mostrarei como a mastigação constante é importante no bom manejo nutricional do cavalo e que medidas práticas podem ser adotadas para estimulá-la corretamente durante o seu confinamento.

GUSTAVO BRAUNE

Leia em seguida:

"Mastigue Essa Idéia"

"Segundo Ato: Engolir"

"Uma Viagem no Tempo e no Espaço"

 

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