HOME Escola de Equitação Instituto Homo-Caballus Coudelaria Fórum
Desempenho
Desempenho Calendário | Como Chegar | Fale Conosco | Cadastro | Fotos
Desempenho
Desvendando o Enigma do Centauro
Desvendando O Enigma do Centauro - Parte II
 
Uma Viagem no Tempo e no Espaço

É chegada a hora de convidá-lo a participar de uma viagem no tempo e no espaço, que há tempos venho fazendo, sem utilizar o Cavalo de Tróia de J.J. Benitez nem a Odisséia Espacial de S. Kubrick. Aqui, a Inteligência Biológica é a máquina do tempo. Nela poderemos ver e sentir a Ontogenia (o desenvolvimento do indivíduo) espelhada na Filogenia (o desenvolvimento da espécie). A partir de agora poderão ver que um potro ao nascer é quase uma cópia do Hyracoterium de mais de 60 MA (milhões de anos) atrás, e que em seis horas de vida ele dá um salto de 30 MA no tempo. A partir daí, num ritmo galopante e incessante, podemos assistir palmo a palmo a um verdadeiro vídeo-tape da sua evolução utilizando como referências os marcadores biológicos: as mudas dos dentes e o próprio crescimento do corpo mostram a olhos nus que, a cada 6 meses, uma passagem de era evolutiva se estabelece, até que entre os 24-30 meses você se depara com o Equus do período plioceno. Deste período em diante as modificações são menos perceptíveis, marcando e definindo diferenciações refinadas principalmente no desenvolvimento do sistema nervoso central – daí para frente é vital evoluirmos com ele na busca da simbiose da equitação.

Aperte o cinto e solte a imaginação.

Há cerca de 280 MA um Macro-sistema Biointeligente estimulava a biodiversidade antecipando três ações altamente contundentes sobre a densidade populacional no planeta : duas ações ambientais e uma ação animal.

As ambientais foram as extinções em massa há 250 MA (permiano-triássico) e há 65 MA (cretáceo-terciário), que dizimaram 90% e 50% da população respectivamente.

O impacto animal foi marcado pelo longo e jurássico reinado do maior de todos os predadores , o Tiranossaurus rex. Um expert controlador populacional.

Neste panorama surgiu a grande vedete do Divino projeto biológico: a classe mamífera. Essa sacada biológica fez com que os ovos passassem a ficar na barriga das mães e permitisse que, após o nascimento, nelas mesmas se instalasse o manancial nutricional – de uma glândula sudorípara surge a glândula mamária. Com esse fantástico recurso o fenômeno da reprodução animal entrou em paz com as ações migratórias e as variações estacionais do ambiente.

A vasta classe mamífera surgiu como uma grande família ancestral, cujos pais e irmãos tomam cada qual seu destino. Esse destino é cada vez mais nítido na proporção direta das mutações e diferenciações .

No momento do nascimento, hoje, bem à frente dos nossos olhos, herbívoros e carnívoros ainda mantêm entre si forte identidade, compromissada com uma raiz semeada no Eoceno – há 68 MA, como por exemplo:

. dentes incisivos apenas como instrumentos de apreensão das tetas da mãe.
. glândulas salivares ainda rudimentares.
. istmo de conexão glândula tireóide-freno lingual ainda muito tenro.
. estômago (local futuro de digestão de carne para os carnívoros e de concentrados para o cavalo) discretamente forrado de glândulas, e de tamanho proporcionalmente semelhante.
. mucosa estomacal capaz de absorver moléculas de proteína de alto peso molecular – de 400 a 200 mil daltons de peso.
. musculatura do cárdia (porção inicial do estômago) pouco desenvolvida.
. musculatura do piloro (porção final do estômago) ainda indefinida.
. ceco (parte do I. grosso análogo ao nosso apêndice) ainda rudimentar.

Mas a semelhança não dura muito; em menos de 6 horas após o nascimento eles se tornam diferentes em cerca de 30 milhões de anos na escala evolutiva. Neste período, após ter mamado o colostro rico em globulinas (anti-corpos que são proteínas de alto peso molecular), a mucosa gástrica se fecha e só admite a passagem do estômago para o sangue de proteínas de cerca de 30 - 40 mil daltons. Isso assegura seu desenvolvimento, já que o pequeno potro garantiu sua cota de anticorpos e simultaneamente protegeu-se, impedindo que microorganismos (de alto peso molecular) penetrem na corrente sangüínea causando doenças. Encontrando as portas fechadas, esses microorganismos seguem o caminho da simbiose necessária para se transformar em herbívoro – a câmera fermentativa. Até a época do desmame essa distância entre herbívoro e carnívoro vai progressivamente se ampliando.

Ainda com muita afinidade para alimentos concentrados – outrora brotos, sementes, pequenos frutos, folhas aéreas, etc. – atualmente o leite materno e os grãos : (1) os dentes incisivos vão se definindo como instrumentos de apreensão de capim; (2) as glândulas salivares começam a crescer; (3) a glândula tireóide enfim de mãos dadas com a língua; (4) o estômago é uma das únicas estruturas que pouco crescem, fortifica sua musculatura e reduz sua área glandular à terça parte; (5) na velocidade que visualmente presenciamos o aumento no porte, internamente o ceco também não pára de aumentar. Nessa fase o potro ainda guarda relação de identidade com o antigo equus do plioceno (o pliohyppus) de 5 milhões de anos atrás.

Já entre 6 e 9 meses um marcador biológico visual sela sua identidade de herbívoro : brota o dente de leite incisivo do canto – na prática zootécnica corre- ta é o momento do desmame. Essa emancipação familiar o eleva ao grau de Equus cabalus. São 60 milhões de anos que passam a um palmo de nós, em 6 a 9 meses .

Diante dessa fantástica viagem no tempo evolutivo fica bem mais compreensível e providencial refletirmos sobre zootécnicas convencionais como :

(1) o ponto estratégico de transformação energética eqüina é cada vez menos o estômago , ocorrendo uma gradual troca pela: (a)cavidade oral, que pode ser considerada um pré-estomago se devidamente utilizada pela prática da mastigação e (b) pelo ceco, a loja da simbiose com a flora microbiana.

(2) investir em concentrado no período de máximo desenvolvimento do potro é seguir um caminho inverso ao evolutivo. O código transmitido pelo hábito alimentar será bioquimicamente compreendido pelo organismo se a cada momento for fomentada a relação simbiótica entre volumosos e a flora microbiana. Foi esse insight que norteou, há 60 MA, o hyracotherium de 50 Kg de peso e 40cm de altura um dia se tornar o equus atual de 400Kg e mais de 1,60 de altura.

(3) a musculatura do cárdia (porção inicial do estômago) se fortalece, e a do piloro (parte final do estômago), permanecendo frouxa na relação direta do desenvolvimento, acentua a identidade da passagem rápida do alimento para o intestino grosso. Assim estabelece-se uma estratégia zootécnica indiscutível: não fornecer alimento concentrado (grãos, farelos, etc.) simultaneamente ao volumoso (capim) já que este é impulsionado rapidamente para a câmera fermentativa - o ceco.

(4) se em cerca de 4 meses de amamentação o potro já define morfologicamente sua distribuição glandular no estômago (apenas 30%) e nesta idade consome cerca de 10 a 12 litros de leite por dia em 6 a 8 mamadas , ou seja menos de 1,5 litro a cada mamada , o estômago começa a delimitar uma ineficiência para digerir simultaneamente quantidades semelhantes a essa – e bom lembrar que 1 litro de concentrado eqüivale em media 800 a 900g em peso ).

(5) é sabido que a gordura vegetal é a substância que menos estimula a movimentação do estômago. Portanto, ao aumentar seu tempo de permanência aumenta também seu poder de aproveitamento. Além de ser o nutriente que mais concentra energia por volume fornecido.

Ao chegarmos dessa viagem temos a sensação de proximidade com Deus e a vontade imediata de estarmos ao lado dos potros.

No próximo artigo falaremos mais um pouco sobre o estômago, que quando mal compreendido se torna um inimigo do próprio cavalo, disseminando pontas de dente, aerofagia, obesidade, laminites, cólicas abdominais e muito prejuízo financeiro – conseqüências de seguirmos na contramão do tempo evolutivo.

Ate lá.

Gustavo Braune.

 

home  |  topo  |  versão para impressão  |  voltar

Desempenho - Telefax: (21) 2745-6178 Cachoeiras de Macacu, RJ