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O Caso “Jaboré” – um cavalo forense – parte II

É incrível, mas vamos recomeçar o Caso Jaboré com outra mensagem do Renato, essa postada em 22 de abril de 2002. Ou seja, em 20 dias de abril trafegou uma enorme quantidade de mensagens pelo Fórum, tanto direta como indiretamente relacionadas com nosso amigo Jaboré.

Aparentemente a questão da sobrepassada foi resolvida. Mas outra questão já ocupava corações e mentes: serviria o Jaboré para o enduro? Como vocês devem lembrar, isso já tinha gerado mensagens e contramensagens. Enquanto tudo isso ocorria pelo éter internético, o Jaboré continuava, calmamente, a comer seu feno, capim e ração em Santa Catarina.

Então vamos lá, mensagem 3473 do Renato, em 22 de abril.

“Bom dia Patrícia e demais companheiros

Fiz o teste que você recomendou, para avaliar o Jaboré:

- 7:54 h, sábado de manhã, temperatura agradável, tempo úmido, o Jaboré já alimentado e escovado, somente de cabresto, tirei pela primeira vez o pulso; contei 8 batidas em 15 segundos (+/- 32 bpm);

- 8:00 h com o Jaboré já encilhado pronto para sair, contei 10 batidas (+/- 40 bpm);

- o percurso consistiu no geral de estradas terciárias de pouco movimento, chão de macadame com poucas pedras; relevo levemente ondulado com três subidas/descidas mais pesadas; por volta do oitavo km parei para um descanso de 10 minutos; apeei e ele comeu um pouco de capim ainda com orvalho que havia no local; não havia água para beber; não tirei o batimento na parada;

- 10:00 h final do passeio, depois de 18,2 km percorridos; tirei o batimento assim que desci, 20 batidas (+/- 80 bpm); depois tirei a encilha e refresquei o "bicho" com água de mangueira, começando pelas patas, depois tudo;

- 10:08 h contei 14 batidas (56 bpm);

- 10:22 h com o Jaboré descansado e atado na mangueira, na sombra, contei 8 batidas (32 bpm), então soltei-o no piquete.

Considerações gerais:

- Tive alguma dificuldade de tirar o batimento (sentir o fluxo de sangue); geralmente perdia quase um minuto só para "achar" o pulso; por isso os números acima devem ser considerados com tolerância;

- A média de velocidade ficou por volta dos 9,8 km/h;

- Esquecendo o lado pulso/recuperação e olhando o lado "atitude", o Jaboré comportou-se satisfatoriamente; não é malandro, tem vontade de andar, mas também não se mata; não é muito veloz mas também não perde tempo com sustos ou hesitações; não rende nas descidas (nem deixei, como recomendastes) e rende bem nas subidas sem precisar de convite; - Depois da parada de 10 minutos, com fôlego novo, deixei-o mais livre (frente mais baixa) e então tocou-se de novo duas vezes (posterior no anterior); retomei o andamento mais reunido e o fato não voltou a acontecer.

Como é potro ainda bem novo e o enduro é coisa para cavalo adulto, muita coisa pode mudar, mas fica a perguntinha: será que ele tem aptidão ??

Grande abraço,
Renato”

Logo no dia seguinte já veio o primeiro retorno para o Renato, por parte da Patrícia, na mensagem 3493.

“Boa tarde Renato e amigos

Fazer um diagnóstico com só este teste é meio precipitado, mas vamos lá. O basal dele é bom, nada de anormal. Me pareceu que o relevo onde você treinou e o piso (com poucas pedras) são bons para os cavalos porque não são excessivamente duros e nem tão moles. Além disso poucas pedras no caminho significam menos tropeços, problemas nos cascos, etc. Isso é bom, foi bem escolhido o circuito.

O batimento de chegada também achei normal, o animal não está treinado e isso influi para que tenha um batimento alto na chegada. O importante é ver a recuperação do Jaboré depois de molhado: note que ele demorou um pouco para baixar para 56 BPM. Mas isso não significa nada hoje, porque ele não está treinado para este esforço. A velocidade achei adequada para um primeiro treino, mas depois de alguns meses será preciso aumentá-la para condicionar o cavalo (pulmões, coração, articulações, tendões, ligamentos). Pelo que pude perceber (é um diagnóstico bem sucinto) acho que ele pode competir em provas de enduro e com o condicionamento adequado vai se dar bem. Nenhum dos parâmetros que você passou está em desconformidade com o normal de um cavalo que não está treinado para a atividade. Muito pelo contrário, os parâmetros estão dentro do que eu consideraria normal para um cavalo nestas condições.

Importante: ele bebeu bastante água quando chegou? Você deixa sal mineral e sal normal à vontade para ele lamber (isso é importante para repor os sais perdidos com o esforço). Se você sentir que falta energia para o seu cavalo, experimente colocar óleo de milho na ração (depois os veterinários do Fórum podem te dar uma idéia de quantidade), o óleo dá energia e deixa os pêlos bonitos. Há também produtos que se chamam eletrolíticos que repõem os sais minerais perdidos durante o exercício, há propaganda na Horse Ilimitada deste mês, inclusive.

Quanto às andaduras: você fez passo, trote (marcha) e galope? Na marcha você costuma sentar-se na sela e acompanhar o cavalo ou fazer o trote elevado (se é que isso é possível em cavalos marchadores...)? Às vezes o cavalo se toca porque está cansado, não chega a ser tão preocupante...você pode usar boleteiras e caneleiras ou cloches para evitar choques e machucados. Costumo usar as de neopreme que são confortáveis, leves, fáceis de lavar e toleram bem água e barro.

Como é que ele (Jaboré) se comportou depois de solto no piquete? Estava com fome? Sentiu algum desconforto, dor no lombo?

Bom, estes treinos têm que ser gradativos. Experimente, da próxima vez, fazer o mesmo treino só que em uma temperatura mais alta (sair umas 11 ou 12:00)...veja se há algum local para o cavalo beber água (nem que seja um barzinho em que você peça um balde para ele).

Quanto a medir os batimentos para mim também é difícil. Há um relógio que mede os batimentos e que o pessoal do enduro costuma usar. Chama-se Polar (o pessoal de academia usa bastante) e aqui em São Paulo é bem fácil de conseguir um. O problema principal é o preço (eu acho caro, deve estar por volta de R$ 150,00 o mais simples) e você tem que adaptar na barrigueira de seu cavalo. Acho que no seu caso é dispensável por enquanto, mas fica a dica.

Equipamentos: como estes treinos são longos os equipamentos (seus e do Jaboré) devem ser confortáveis. Baixeiros com um tecido macio, espuma e pelúcia protegem contra feridas na cernelha (pisaduras...). Um protetor de rim (um bom pelego pode servir) ameniza o impacto do nosso peso no lombo do cavalo. Caneleiras/boleteiras de neopreme, um cantil que você possa amarrar na sela, uma ferramenta que você possa levar para tirar uma pedra que está na pata do cavalo, etc...são coisas que você pode ir pensando para os seus próximos treinos.

Se eu pensar em mais alguma coisa te mando outro e-mail, mas acho que ele tem jeito sim...e com o treinamento você verá como ele vai evoluir na recuperação!

Boa sorte, qualquer pergunta é só mandar!

Um abraço,

Patrícia B. Barbosa”

Segue o pingue-pongue entre Renato e Patrícia, nas mensagens 3506, 3507, 3511. Oi Patrícia e todos demais,

Obrigado por toda essa atenção ! A minha impressão (não podia dizer antes) é que o Jaboré pode servir para o Enduro sim, nas pequenas/médias distâncias. Se ele vai ser um campeão nas longas é medianamente provável, mas tampouco conheço a modalidade para opinar, é achologia minha. Prefiro ficar com tua opinião.

Minha missão primeira é formá-lo como cavalo de sela e daqui a um ano ou mais, aí sim definir sua função.

Mas vamos ver se consigo responder tuas perguntas:

- Quando terminei o exercício, molhei-o com a mangueira e com ela mesmo dei um pouco de água. Depois que voltou aos 56 bpm, levei-o ao tanque para beber (deve ter bebido o equivalente a um balde), Quando soltei-o no piquete, voltou a beber um pouquinho e saiu num tranco para comer perto dos outros dois cavalos. Não aparentou cansaço, nem irritação. Estava bem.

- Dou sal mineral junto às refeições, mas não em liberdade (relaxamento meu, o coxinho externo quebrou faz meses e ainda não arrumei). Mas junto com a ração, não esqueço!

- Quanto aos eletrolíticos, nunca dei, nem vi alguém daqui usar. Vou verificar se há no mercado para vender. Não vai ser fácil achar.

- Sobre as andaduras, diria que fiz 15% a passo, 5% a galope e 80% em marcha. Na marcha não há necessidade do senta levanta do trote elevado.

- Quanto aos arreios, compartilho das tuas dicas, mas sobre a sela em si, minha opinião é polêmica e considerada arcaica, pois uso somente o "basto cutiano". Sei que no enduro terá pontos desfavoráveis como pouco encosto nas subidas, o encharcamento em caso de chuva/rio fundo e pouca praticidade. Quem não está acostumado, desiste de encilhar. É quase um ritual, primeiro um baixeiro bom, depois o basto (sela), depois um peleguinho de fundo, depois o pelego de fato, depois a badana de pardo e por fim a sobre-cincha. Não há nenhuma armação rígida. Somente couro. Outra coisa, a basteira é unida por uma trança de tentos crús (couro) e pode ser regulada de acordo com a largura da cernelha/lombo do cavalo. Nunca tive um caso sequer de cernelha ou lombo machucados. Quando tiro a encilha não há pontos mais ou menos molhados em toda a extensão, pois o apoio é uniforme. Outra vantagem, em caso de quedas, dificilmente esta encilha machucará o cavalo. É uma encilha ecologicamente correta. Mas esqueça isto tudo quando o assunto é salto. Os bastos cutianos tem a saída dos loros mais à frente, fazendo você se sentar mais, assim como nas selas americanas de apartação, onde as pernas do cavaleiro trabalham ligeiramente mais à frente. Enfim, gosto do basto cutiano porque me obriga e preservar o equilíbrio natural sem usar a rédea como apoio.

.x.x.x.x.x.x.x.x.x.

Um grande abraço,
Renato”

“Bom dia Renato,

Desculpe, mas não entendi realmente do que se trata o basto cutiano... Se for uma espécie de sela com o suador reto é melhor para as distâncias maiores. Isso porque o suador reto distribui melhor o peso do que a seleta (de salto) e não afeta tanto os rins do cavalo e seu lombo. Se você pudesse mandar uma foto para eu conhecer o basto cutiano (estou curiosa!).

Quanto ao pós treino, acho que deu para ver que ele estava bem disposto, logo comeu, bebeu bastante água. O sal deve ficar à disposição no pasto e na baia para cavalos de enduro porque eles constantemente vão lambê-lo... (acho melhor consertar o coxinho do pasto...).

Importante I: não dê ração, milho, etc depois do exercício. Deixe-o pastar, se espojar no chão para alongar os músculos das costas, para depois de algumas horas voltar a dar a ração.

Importante II: te perguntei do trote elevado porque o lema do enduro é poupar o animal para que ele chegue em boas condições no final da prova. Isso quer dizer que fazemos trote elevado (mesmo os MM que vi nas provas longas são montados por cavaleiros que fazem trote elevado), galope esporte, passo em subidas fora da sela (ou mesmo puxando o animal), descidas íngremes ao trote ou galope (ou puxando o animal também). Imagine o alívio que o cavalo sente... foi por esta razão que te perguntei.

Depois, mande mais notícias!

Um abraço,

Patrícia B. Barbosa”

“Oi Patrícia

O basto cutiano é um tipo de sela, de suadores retos de aproximadamente 50 cm de comprimento. As duas diferenças mais significativas, a primeira, que sobre os suadores (para os sulinos, as basteiras) não há nenhuma armação rígida (madeira/fibra) como os arreios antigos e selas convencionais, permitindo um apoio uniforme; a segunda, que as distâncias entre suadores do início ao fim podem ser reguladas de acordo com a cernelha/lombo do cavalo. Vou tirar uma foto de um para poderes visualizar melhor.

Sobre teus comentários do trote elevado. Estás vendo como estou crú no enduro. É por isso que o Fórum Desempenho encanta! A naturalidade com que a gente vai aprendendo sobre o universo do cavalo e suas variantes. Valeu !!

Sds Eqtres,
Renato”

A Claudia apareceu na mensagem 3516, travestida em... Itamar! Com problemas no micro, ela valeu-se do Itamar para fazer uma ponte até o Fórum. Tudo isso para não deixar de participar da conversa sobre o destino do Jaboré no enduro. E falar de uma coisa fundamental, a troca de mãos, logo seguida pela Patrícia, na 3525.

“Oi,

com essa história do trote elevado eu não poderia me furtar de dar trabalho ao Itamar de novo...

Estou curiosa para ouvir os comentários de Mara, Bjarke e o resto da Desempenho sobre o trote elevado, tanto nos marchadores quanto em cavalos de trote. Acho que tanto Patrícia quanto Renato não participaram da discussão de algum tempo atrás, sobre o trote elevado na verdade ser um alívio para o cavaleiro, não para o cavalo.

(Só para adiantar minha própria opinião - tudo que beneficia a conservação de forças e equilíbrio do cavaleiro, naturalmente favorece o cavalo também, pelo exposto na minha mensagem anterior. O cavaleiro cansado, etc, soca mais nas costas do cavalo.)

Patrícia, explique também sobre o trote em suspensão (como o galope esporte). E como você sabe, mas alguns do Fórum talvez não, o trote elevado só é bom para o animal em longos trechos se o cavaleiro trocar a diagonal com frequência. (Muita gente que aprendeu sozinho tende a trotar elevado eternamente na mesma diagonal, com muita dificuldade de pegar a outra. Sei porque há muitos anos atrás fui um destes.)

O mesmo vale para pegar galope alternadamente em ambas as mãos. Em suma, tudo para distribuir a carga de esforço ao máximo possível ao longo de todo o locomotor, musculatura e esqueleto, do cavalo.

Abraços,
Claudia”

“Cláudia, Renato e demais companheiros do Fórum,

Realmente, você (Cláudia) tem razão quanto a trocar as diagonais do trote. Quando em treinos ou provas eu costumava trocar mais ou menos de 50 em 50 passadas. Acabou se tornando automático. Nas curvas, procurava também fazer trotando na mão de fora para melhorar o equilíbrio do cavalo. O mesmo para o galope. Mudava de mão sempre que pedia o galope, intercalando, hora mão esquerda. hora mão direita. Nas curvas também procurava fazer na mão certa... isso evita tombos quando o piso está escorregadio, p. ex.

Já vi uma cavaleira chilena que nem fazia trote elevado... ela foi os 90 kms de prova (eu vi porque fui quase o tempo todo com ela) de pé nos estribos. O cavalo passou no vet final, mas não sei se esta é a melhor técnica porque podemos acabar pesando muito a frente do animal.

Bom, acho que era mais ou menos isso o que eu tinha para falar. Cláudia, se tiver esquecido de algo me avise!

Saudações enduristas,

Patrícia B. Barbosa”

Mensagem 3530, do Renato, ainda no tema. E o Renato botando as “manguinhas” pra fora ao falar dos crioulos. :o)

“Olá Patrícia, Claudia e demais ...

Estou certo de que o trote elevado é uma ótima técnica para o bem do conjunto, claro quando feito corretamente como expusestes abaixo. No galope sempre me preocupei em trabalhar nas duas mãos. No trote, confesso que poucas vezes fiz trote elevado e quando fiz, o resultado não foi muito bom, falta prática literalmente. Faço poucas cavalgadas longas. Meus exteriores são de geralmente 10-30 km. Outra coisa, normalmente estou montando Crioulos e MM que são mais macios (movimentos mais baixos) ao contrário dos belos árabes de movimentos altos e graciosos, mas que requerem o trote elevado, imprescindivelmente.

Falando em raça, todas têm algo de especial e sabe o que me encanta no Crioulo ? Além da resistência para o trabalho, sua incrível capacidade de variação de estado. Num minuto uma explosão de movimentos, noutro, total imobilidade. É cavalo que tem "botãozinho" de liga/desliga !

Saudações Criolistas,
Renato”

Msg 3535 do Armando Rabelo:

Renato

Gostei muito do seu ponto de vista. Também não dou tanta importância à postura.

Em relação ao enduro, acho que você deveria ler uma reportagem da horse "Marcha x Galope", não me lembro bem qual a edição do ano passado. Nessa matéria estão os resultados de uma pesquisa onde ficou constatado que um galope reunido seria menos cansativo ao animal que uma marcha alongada, de mesma velocidade. Acho até que algum dos animais testados era de alguém do Fórum, acho que do Itamar, salvo engano, um belo animal.

Ou seja, pra enduro, talvez seja melhor o galope reunido que a marcha, em certas situações.

[]´s

Armando.

Claudia, de volta, na mensagem 3549

Oi Renato,

só para informação de vocês, a técnica de ficar em pé o tempo todo foi desenvolvida e é ensinada por Boyd Zontelli, americano diversas vezes campeão da Tevis Cup, entre outras provas de cem milhas. De fato, ele fica as cem milhas (argh!!) de pé, e afirma que é o melhor em termos de equilíbrio e preservação de forças do cavalo.

Para quem se interessar, na UC existe uma fita de vídeo onde ele explica a técnica.

Veja bem, o trote elevado não é "imprescindível" em nenhuma raça. O que ele faz, é cansar menos o conjunto em determinadas situações. Quando nós instrutores ouvimos alguém dizer que "é impossível fazer trote sentado neste cavalo", seja árabe, BH ou PSI (estes, de trote muito mais duro que o árabe) sabemos que a pessoa ainda não tem assento independente. Quanto melhor equitado o cavalo, mais o dorso dele oscila, e nestas condições o trote sentado se torna até gostoso. (Sim, sim, um Marchador é uma delícia!!! Nenhuma dúvida quanto a isso !!!)

A qualidade de "brio escondido" a que você se refere, de passar da explosão à calmaria e vice-versa quando solicitado, é uma de suas melhores qualidades, originária dos cavalos ibéricos, e que com certeza lhe será vantagem em enduros (índice de recuperação). Com tantas provas longas específicas da raça (como chama aquela em que eles percorrem centenas de quilômetros ao longo de dias, podendo comer apenas o capim que encontram à beira da estrada? ainda é realizada? Duda, você sabe?), fico pensando quando alguém se disporá a disputar enduro longo com Crioulos.

Abraços,

Claudia

Renato, na msg 3552

Bom dia Claudia e demais,

A prova de longa distância dos Crioulos se chama MARCHA. São em torno de 750 km percorridos em 15 dias. Os cavalos passam por uma quarentena antes da prova para atestar de que não se alimentam com nenhum suplemento alimentar, exceto sal, água e pasto. Durante a prova, a mesma coisa.

Abraços,

Renato

E assim chegamos ao final da história do Jaboré, a resolução de seus problemas, o começo de seu treinamento, e o começo de uma carreira no enduro.

Então, na tela surge “The End”, fecham-se as cortinas e termina o espetáculo. E a gente, eu, pelo menos, fica pensando: e agora, eles casaram mesmo? Tiveram filhos? Agüentaram as agruras do dia-a-dia? Foram, realmente, felizes para sempre?

Os diretores nunca, ou muito raramente, contam o fim que vem depois do fim. Às vezes, até tem umas legendas contando o final da história. Ou, também já vi, enquanto correm as legendas finais, ficha técnica, etc, lá estão os atores em cenas da continuação que não foi mostrada. Gosto quando isso acontece. Pena que aconteça pouco.

Por tudo isso, fiquei cismando e mandei um email pro Renato perguntando: “E aí, e o Jaboré?”

Então, vamos ao fim depois do fim.

Mas, antes, vamos corrigir uma pequena falha.

Povo do Fórum, eis o Jaboré!

Jaboré, em foto tirada em maio de 2003

E vamos ao prometido final depois do final, nesse email do Renato para mim, em 21 de julho de 2003, ou seja, pouco mais de um ano depois de todo o affaire.

Olá Emerson,

O Jaboré do Zumbido é muito bom cavalo, mas não está mais comigo! Foi o último, dos tantos que me propus (nos últimos onze anos) a comprar de sobre-ano, treinar e vender, com o intuito de aprender a bela arte de iniciar cavalos. Diante da nova fase, de criar cavalos crioulos e treiná-los para as competições do freio de ouro e rédeas, o Jaboré, mangalarga marchador, de caráter correto e, embora bom cavalo, ficou fora de propósito. Cheguei a oferecê-lo ao nosso amigo Duda (Eduardo Festugato), faz uns dois meses atrás, mas ele, por seus motivos, preferiu não aceitar a oferta. Acabei vendendo para um conhecido de Pomerode-SC, o Amarildo. O Amarildo é uma pessoa que já tem uma égua de marcha e participa de muitas cavalgadas. Um cara legal, alimenta o cavalo muito bem, escova diariamente, etc, embora tenha uma visão do cavalo um pouco diferente da nossa. Ama de paixão, mas é um tanto rude (aos nossos olhos). Como o Jaboré tem boa índole, acredito que não vão haver muitos atritos, pelo menos assim espero.

Bem, enquanto o Jaba (seu apelido) "participava" do Fórum, fui pegando várias dicas do pessoal e o "problema" de alcançar-se com os posteriores foi resolvido pedindo-lhe um andamento mais reunido, ou seja, não o deixando ampliar demais a passada, pois ele não tinha, na ocasião, condições neuro-físicas para um andamento tão amplo, que é de sua natureza. Em alemão tem um ditado que diz: "quer mas não consegue" Treinei-o com regularidade até novembro/02 quando seu batimento cardíaco recuperava muito bem. De novembro pra cá a atenção diária se voltou para o crioulo Patrão Velho da Quinta. De lá pra cá, o Jaba ficou para os passeios e um treino de picadeiro por semana, muito pouco, reconheço. Tentei vendê-lo para alguém do enduro, mas alguns diziam que cavalo de enduro é árabe, o resto é m*. O outro bloco, queria um marchador mas tinha que ser macio (marcha picada), e o Jaba tem o andamento bem diagonal e requer um assento educado. Enfim, o Zaino vai fazer cavalgadas e procissões pela região, sem exigências "esportivas".

Um abração de SC,
Renato

Logo em seguida, no dia 23, o Renato complementava essa resposta com um novo email:

Emerson,

Com toda certeza, o Fórum foi importante no direcionamento do trabalho feito com o Jaba. Além das informações sobre condicionamento físico, características da idade, teve ainda a questão do ferrageamento que foi melhorado, tomando-se por base as informações do Fórum. O êxito na solução do problema, deve ser creditado ao Fórum com certeza. Sem o Fórum, talvez tivesse chegado na solução, mas demoraria mais tempo e ao final, provavelmente ficaria ainda em dúvida, de qual medida teria realmente dado resultado positivo. As conversas sobre a potencialidade dele para o enduro também foram muito importantes. Só não vingaram tanto quanto possível, porque enduro não é minha opção particular.

Abraços,
Renato

E assim, chega ao final o Caso Jaboré.

Como já disse no início, o que me atraiu nesse caso foi a real utilização do Fórum por um de seus participantes. Com as mensagens trocadas, o Renato trabalhou, e muito bem, diga-se de passagem, o seu cavalo Jaboré, um cavalo forense.

 

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