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Desvendando o Enigma do Centauro
Desvendando O Enigma do Centauro - Parte II
11. A Neurociência Revela os Princípios da Equitação
A equitação pode, e deve, se beneficiar com as novas informações científicas que não param de enriquecer o conhecimento humano. Na busca por técnicas mais eficientes para se montar a cavalo convém, além de rever os velhos manuais de equitação, procurar novas fontes e fatos nas ciências contemporâneas que possam nos ajudar a ampliar os limites da nossa percepção do cavalo e da fisiologia da equitação. Acredito que, para se contribuir com o que já é sabido, não basta traduzir, transcrever e concordar com a bibliografia existente. Hoje, mais do que nunca, é preciso equitar, avaliar, duvidar e pesquisar para, então, ajudar a reconceituar as teorias existentes à luz da ciência. “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende” escreveu, com grande sabedoria, Guimarães Rosa.

Antes de nos aprofundarmos numa filosofia avançada da equitação, vamos analisar a neurologia do cavalo que permite a equitação em si, segundo uma pesquisa realizada por Dr. James Rooney, professor de Patologia Veterinária da Universidade da Pensilvania. O estudo, intitulado The Chain of Riding Reflexes -- A cadeia de reflexos da equitação --realizado nos anos 70, revela que o cavalo reage aos comandos do cavaleiro através de reflexos condicionados organizados durante o processo de treinamento do animal. Esta extraordinária informação pode estabelecer bases sólidas para se realizar uma fusão mais completa do sistema neurofisiológico do cavalo e do cavaleiro. As técnicas para esta fusão foram desenvolvidas instintivamente pelos inventores da equitação, os nômades da Ásia Central, e por alguns grandes cavaleiros. Um deles foi Caprilli, que acabou sendo conhecido apenas como o criador do ‘assento adiantado’ usado atualmente por todos os cavaleiros nos saltos de obstáculos.

Esta fusão pode ser descrita assim: o cavalo e o cavaleiro evoluem na ação eqüestre como um único ser. O cavaleiro em perfeita sintonia com o ritmo e os movimentos do cavalo, os dois unidos por uma ação de gestos, sentidos e objetivos casados. O cavalo é a extensão do cavaleiro e este, o prolongamento do cavalo. Entre os dois seres neurofisiologicamente conectados, um fluxo de informações retroalimenta continuamente a ação do conjunto.

Visualmente tem-se a impressão de que o cavalo comanda a ação, tal a sutileza dos comandos do cavaleiro e a harmonia de performance do conjunto. A partir desta imagem, fica claro que existe muito mais por trás de uma equitação de alta performance, do que o uso de mãos, pernas, esporas e chicotes -- as tradicionais ‘ajudas’ que, usadas indiscriminadamente, atrapalham mais do que ajudam, provocando uma ação eqüestre feia e de pouco rendimento esportivo. “Para se obter um alto nível de desempenho esportivo”, diz Dr. James Rooney, “é importante se conhecer o funcionamento da coordenação motora do cavalo, para dela tirar melhor proveito”. E, a partir daí, aprender a desencadear uma seqüência de comandos que, por sua vez, vai catalisar no cavalo a cadeia de respostas condicionados da equitação --, um processo neurofisiológico muito mais próximo da cibernética do que das leis da mecânica convencional.

Acredito que o estudo da cadeia de reflexos da equitação do Dr. James Rooney está para a equitação, assim como o heliocentrismo de Copérnico está para a astronomia. Como um Copérnico moderno, Dr. James Rooney nos possibilitou uma visão científica de um mundo até então desconhecido -- o do desempenho eqüestre -- um universo tradicionalmente povoado por mitos, equívocos, conclusões conflitantes, burrice e até charlatanismo.

 

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