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EQUITAÇÃO & LIDERANÇA

EQUITAÇÃO E LIDERANÇA

Palestra de Bjarke Rink para os alunos do
Curso de Instrutor de Equitação/2004 na
Escola de Equitação do Exército
em 16/03/2004

Apresentação: A roda completa a sua volta.

No ano de 1950 um menino estrangeiro, morador de São Francisco em Niterói, se tornou aluno de equitação do Coronel Alfredo Souto Maior no Clube Hípico Fluminense. O Coronel Souto Maior era sem dúvida um filantropo, pois nada cobrava por suas aulas de equitação, o que proporcionou ao menino, filho de emigrantes dinamarqueses, uma educação eqüestre de qualidade.

Com os quatro anos de equitação que cursou com o Coronel Souto Maior o menino iniciou a sua atividade eqüestre e nunca mais parou.

Hoje, mais de cinqüenta anos depois, tenho a honra de estar aqui na Escola de Equitação do Exército, onde o Coronel Souto Maior, o meu benfeitor, trabalhava e montava seus cavalos.

Devo, pois, a minha iniciação como cavaleiro, a um coronel brasileiro de grande cultura e extrema dedicação, e também à Escola de Equitação do Exército, onde o coronel Alfredo Souto Maior estava lotado.

Aproveito para agradecer pelo convite do capitão Ataíde Barcelos Pereira, e pela hospitalidade do coronel Nelson Gomes da Silva.

Especiais agradecimentos ao Coronel Carlos Alberto Bastos Moreira autor da idéia desta exposição na qual vou tentar passar o que aprendi no Brasil, e em viagens pelo mundo, onde procurei estudar a equitação com os olhos das ciências da vida, as suas razões biológicas, motivações antropológicas e o seu impacto histórico sobre o destino da humanidade – passado, presente e futuro.

Com esta palestra na Escola de Equitação do Exército sinto que ‘a roda completa a sua volta’, como diria Shakespeare em meu lugar.

Equitação & Liderança I.

A equitação foi, por milênios, o principal fenômeno a distinguir os líderes dos liderados.

O objetivo desta palestra é oferecer uma visão da origem biológica da equitação e dos desdobramentos antropológicos, históricos e sociais resultantes da expansão do poder eqüestre no mundo, e por que razão a equitação se tornou o principal instrumento de liderança das civilizações mais avançadas do planeta até o século 19.

No século 20, a equitação, depois de ter decidido os caminhos da humanidade por 3.400 anos, infelizmente sofreu um acidente de percurso e quase desapareceu.

Depois da invenção do automóvel o cavalo e a equitação foram considerados pelos menos avisados como um estágio ultrapassado do desenvolvimento tecnológico da humanidade e por isso praticamente ignorado pela ciência e o poder público durante os últimos sessenta anos.

Mas os símbolos deste passado recente estão presentes em todos os aspectos da nossa vida, principalmente em nossa linguagem onde as pessoas, por exemplo, são ‘atropeladas’, o que significa que um indivíduo foi ‘passado por cima’ a tropel de cavalos. A queda do poder é comparada a queda do cavalo. E o nosso hábito de querer aumentar a velocidade dos nossos projetos de vida, também foi um legado do cavalo que nos abriu o caminho para quebrar a barreira da nossa própria velocidade biológica. Somos a única espécie no planeta a ter conseguido esta façanha. E ainda na peça de vestimenta consagrada em todo o mundo civilizado: o uso de calças –, uma indumentária introduzida pelos cavaleiros da Ásia Central para montarem a cavalo, e que se tornou o nosso maior símbolo de liderança. As sociedades agrícolas como os etruscos, gregos e romanos usavam saiotes.

O forte ressurgimento da equitação em todos os países desenvolvidos é um fenômeno que pode ser explicado por varias razões, sendo talvez a principal o fato de que a equitação continua oferecendo a muitas pessoas a maior aventura das suas vidas. O cavalo é um importante elo entre o homem e o mundo natural.

E, além disso, a ciência também nos ensinou que os esportes eqüestres testam as pessoas além da sua programação genética original, pois o cavaleiro é o único atleta que lida com forças e velocidades biológicas além dos limites humanos.

Agora, convém lembrar, que o piloto de um automóvel ou o comandante de uma aeronave é uma pessoa fisiologicamente inerte que viaja na condição de ‘passageiro’ de uma máquina, e quanto mais veloz esta máquina menos as qualidades fisiológicas humanas do piloto serão postas à prova. O cavaleiro, ao contrário do piloto, estará integralmente conectado a um dos mais possantes e velozes animais do planeta e todo o seu sistema nervoso terá de ser retreinado para lidar com os fenômenos de espaço e tempo resultantes desta força e velocidade. Isto chama-se equitação.

Nos seis mil anos da existência da equitação a humanidade gastou mais tempo aprendendo a montar a cavalo do que qualquer outra disciplina, inclusive a de aprender a ler e a escrever. Não é por acaso que as grandes escolas de equitação surgiram na Renascença, na mesma época das grandes universidades como as de Cambridge, Sorbonne e Harvard.

Pela necessidade social e dificuldade técnica de aprender equitação foram fundadas as grandes escolas de cavalaria do mundo: Nápoles, Hanover, Versailles, Viena e, mais tarde, a Escola de Equitação do Exército brasileiro que, como sabemos, já foi uma das cinco maiores do mundo.

A Antropologia da Equitação

Por que razão surgiu a equitação no desenvolvimento da humanidade?

Alguém de vocês já especulou porque, de todos os animais da fauna, a espécie humana dominou o planeta? Vocês já perceberam que até cem anos atrás toda a história conhecida da humanidade é uma história de cavalarias? E, naturalmente, existe uma razão para isto, e esta história começa no paleolítico.

Todos os animais são obrigados a viver dentro das suas limitações fisiológicas e o sistema locomotor de todas as espécies — pernas, asas, e nadadeiras — são as características chaves que determinam quem é quem na cadeia biológica. Portanto, num mundo em que a velocidade é uma garantia de vida, uma criatura nua, sem pêlos, desprovida de asas, garras e presas, e equipada com apenas duas pernas possuiria, teoricamente, uma chance muito pequena de se perpetuar e muito menos de se tornar dominante no planeta. Mas os humanos conseguiram. Por que?

Se olharmos atentamente a forma incomum do corpo humano e se, em seguida, olharmos para o mundo que construímos em nossa volta fica claro porque as coisas funcionam como funcionam, e porque a história aconteceu da maneira que conhecemos.

Pela forma pouco dinâmica do corpo humano podemos compreender os tipos de moradias que construímos, o modelo de cidades que erguemos, os veículos que inventamos e a extensa rede de comunicações que criamos. Porque estas são todas soluções tecnológicas para compensar a falta geral de defesas e o débil desempenho do sistema locomotor do Homo sapiens. Os seres humanos, com um dos piores sistemas locomotores entre os mamíferos, eram as criaturas menos equipadas para sobreviver num mundo cruel onde força e velocidade são garantias da sobrevivência. Mas a espécie humana conseguiu. Por que?

Se olharmos para a pré-história através dos olhos da paleontologia, veremos grupos humanos lutando para sobreviver em quase todas as partes do planeta, e aí fica evidente que a deficiência biológica do homem — a infeliz combinação de uma mente poderosa com um sistema locomotor de baixa potência — seria responsável pela ascensão do Homem no mundo. Na feroz luta pela sobrevivência, e incapaz de progredir com sua própria velocidade, os hominídios desenvolveram uma estratégia compensatória que consistia em “furar” o nevoeiro do tempo com a força da sua mente.

Para sobreviver, os humanos gradualmente desenvolveram a capacidade única entre os animais de disparar com as suas mentes ao invés de correr com as suas pernas. Esta incrível capacidade mental, que pode ser chamada de ‘memória futura’, permitiu aos humanos penetrar no amanhã de uma maneira que nenhuma outra espécie de animal jamais conseguira. Esta capacidade era uma inversão completa da estratégia de sobrevivência baseada em velocidade, necessária para atacar ou escapar no mundo natural.

Ao desenvolver uma crescente capacidade de armazenar informações, formular conhecimento e planejar para o futuro, o Homem inventou ferramentas, aprendeu a caçar em bandos, e começou a competir com sucesso com os outros predadores selvagens que dominavam o planeta.

E então dez ou onze mil anos atrás, com a nova descoberta que as plantas podiam ser domesticadas e os recursos alimentares se tornaram mais abundantes, a luta pela sobrevivência se tornou menos renhida. Quando os antigos caçadores e coletores começaram construir vilarejos cercados de terras agrícolas, esta transição do paleolítico para a sociedade civilizada era, naturalmente, uma solução prática para economizar as pernas, o elo fraco da humanidade. Possuir plantas nutritivas crescendo em volta de casa e animais deliciosos engordando no quintal era, naturalmente, uma estratégia para economizar a energia humana.

Mas quanto mais capaz se tornou o cérebro humano, mais crescia o abismo entre o poder da mente humana e a limitação das suas pernas.

A simbiose que mudou o mundo.

A simbiose entre o Homem e o Cavalo mudou o padrão de tempo da humanidade.

A Biologia nos ensina que pequenas modificações na estrutura física e nos hábitos de um indivíduo de uma espécie animal, podem dar a este uma vantagem sobre os outros exemplares do seu gênero. É a luta pela sobrevivência em que o indivíduo mais fraco e os grupos menos organizados tendem a sucumbir diante do mais forte e das sociedades mais organizadas.

A teoria da evolução proposta por Charles Darwin foi a primeira a reconhecer que, quando um indivíduo desenvolve alguma vantagem biológica, mesmo que pequena, terá maior chance de sobreviver e conseqüentemente, de espalhar o seu gene por toda uma população. Esta dedução cientifica explica as mutações genéticas que lentamente transformaram o hominídio do estado antropóide arbóreo até a posição ereta do Homo sapiens, e conferiu aos indivíduos mutantes uma vantagem biológica sobre os não mutantes, até que um dia só restou a variante "sapiens" no planeta. (Mayr 1982).

Dentre todos os animais do planeta, a espécie humana foi a única a "apostar as suas fichas evolutivas" no crescimento do cérebro em detrimento do aparelho locomotor. O sistema bipedal humano é o menos eficiente e o que mais consome energia dentre todos os sistemas locomotores dos animais terrestres.

Portanto, quando o cérebro humano parou de crescer, há cerca de trezentas gerações, o palco estava armado para o aparecimento, mais cedo ou mais tarde, de um indivíduo excepcional que pudesse estender todas as suas qualidades físicas e mentais além dos limites biológicos humanos para ganhar maior domínio sobre o meio ambiente. Foi aí surgiram as ferramentas.

De um modo geral todas as descobertas e inventos foram feitos pelo homem com o intuito de dominar os fenômenos da natureza. Mas é importante se compreender que todas as pequenas e grandes estratégias humanas para dominar o meio ambiente – desde o uso do fogo até o uso do automóvel – deram uma vantagem apenas inicial aos seus inventores. Todas as descobertas e invenções foram rapidamente incorporadas por outros indivíduos e o poder inicial que o invento oferecia ao seu inventor era logo anulado. Um exemplo disto é o arco e flecha que, depois do seu invento, irradiou para quase todas as partes do planeta. Outro é a do computador, hoje, felizmente, utilizado por quase todos os países do mundo e, infelizmente, também pelos agentes do terror.

De todas as descobertas da humanidade, a mais extraordinária foi a de que um cavalo pode ser conduzido por uma pessoa a partir de uma posição no seu dorso.

Para o desenvolvimento da humanidade a equitação foi uma simbiose que valeu por mil mutações.

O cavalo não foi domesticado como nos ensinaram na escola. A relação homem-cavalo provavelmente iniciou-se ainda no paleolítico na forma de uma simbiose de coabitação, que resultou no domínio do homem sobre a manada de cavalos e mais tarde evoluiu para a equitação.

Depois de uma fase indefinida de coabitação, há cerca de seis mil anos, os pastores nômades da Ásia Central entraram na zona de adaptação eqüestre, como diriam os biólogos, e ganharam uma enorme vantagem locomotora sobre as sociedades pedestres da Eurásia. Esta transformação — de pedestre para eqüestre --pode ser comparada com o tempo em que os dinossauros, há milhões de anos, entraram na zona de vôo e, na condição de pássaros, ganharam uma enorme vantagem biológica sobre as espécies terrestres (Rink 2000).

Com a equitação, a espécie humana se tornou a primeira a romper a barreira do seu próprio tempo biológico.

Com o passar do tempo, as sociedades eqüestres das estepes, atingiram novos níveis de adaptação à fisiologia do cavalo, o que é uma condição análoga ao que, em biologia, é chamado de ‘processo adaptativo de mutação’. O tempo em que uma espécie se adapta a uma nova mutação. E, naturalmente, a fusão fisiológica com o Equus caballus deu ao nômade eqüestre uma enorme vantagem biológica sobre a população de agricultores sedentários, como se milhares de mutações houvessem ocorrido num período relativamente curto – o tempo que levaram os cavaleiros das estepes para transformar o cavalo de um veículo de transporte individual em uma verdadeira extensão dos seus sentidos (Rink 2000). Isto é, quando o cavalo e o cavaleiro fundem os seus sistemas sensório motores e formam uma única sinergia muscular.

O desenvolvimento da equitação pelos nômades da Ásia Central acabou envolvendo uma tecnologia de comunicação biológica tão complexa que ela teve o poder de dividir as sociedades humanas em duas categorias principais: as civilizações agrárias assentadas, cuja cultura girava principalmente em torno da agricultura e da arquitetura, e as sociedades eqüestres nômades cuja cultura gravitava em torno do cavalo e da equitação.

Os cavaleiros das estepes se adaptaram cada vez melhor à motricidade especializada do cavalo, o que fez com que mantivessem a sua liderança no mundo por meio de uma crescente capacidade de inventar novas estratégias de velocidade, maneabilidade e comunicação utilizando basicamente a sua união fisiológica com o cavalo.

Mas, para atingir esta excelência eqüestre, os nômades adquiriram primeiramente a confiança que o cavalo tem na sua própria velocidade, um fato que, ligado ao instinto predatório humano, levaria a um tipo diferente de guerra – ações militares eqüestres realizadas em velocidades além da velocidade humana. Este tipo de estratégia militar começou no terceiro milênio antes de Cristo e atingiu o clímax nas conquistas de Genghis Khan e seus sucessores, e só foi superada por um conjunto de fatores econômicos e populacionais que eclodiram na Renascença.

Entretanto, a capacidade de uma pessoa desenvolver uma equitação de alto nível e de uma sociedade formar cavalarias com grande capacidade de combate provou, através da História, ser um desafio além da capacidade de algumas pessoas e de algumas sociedades. Alguns indivíduos simplesmente não possuíam a capacidade física e mental necessária para promover a fusão fisiológica com um cavalo e atingir uma equitação de alta performance, e algumas civilizações, por sua localização geográfica ou meio-ambiente adverso, não conheceram ou não foram capazes de organizar cavalarias que pudessem promover conquistas militares ou montar eficientes estratégias de defesa.

A simbiose Homo-Caballus polarizou os grupos humanos em culturas com e sem cavalos.

A capacidade do Homo sapiens e do Equus caballus de fundirem as suas faculdades físicas e mentais em uma combinação biológica mais forte do que os dois individualmente, teve um impacto tão poderoso no destino da humanidade que a tecnologia eqüestre seria, desde a antiguidade, imitada por todas as sociedades com acesso a cavalos, com resultados melhores ou piores.

E, com o tempo, a fusão do cavaleiro nômade em uma única unidade funcionalmente operante com a sua contraparte – o cavalo – deu a ele uma soberania crescente sobre os seus vizinhos agricultores dentro e fora da Ásia Central.

Mas a equitação provaria ser uma técnica biológica tão complexa que a total união dos sistemas nervosos humano e eqüinos nunca seria totalmente compreendida e realizada por um povo sedentário. No Ocidente, esta tecnologia eqüestre só seria dominada por alguns indivíduos excepcionais, muitos deles militares, mas que, por não possuírem o conhecimento científico para entender e explicar o fenômeno, não foram capazes de passar as suas habilidades para as gerações seguintes.

Entretanto, a primeira conseqüência da fusão fisiológica do Homo sapiens com o Equus caballus na Era Neolítica foi o fato do Homem, como espécie, saltar para o topo da cadeia alimentar da fauna terrestre. A espécie humana, que até então ocupava uma posição intermediária — tanto na categoria de caçador quanto na de vítima, a depender das circunstâncias — quando se adaptou à fisiologia do cavalo e se tornou cavaleiro, passou a ser o predador mais temido do Planeta – ultrapassando em muito o perigo imposto pelos grandes felinos.

Com a simbiose promovida pelo Homem, o cavalo também passou a ser um dos mais numerosos mamíferos da Terra, o que é desejável para qualquer espécie animal. Hoje, enquanto assistimos à tragédia da extinção anual de milhares de espécies de animais e plantas, o cavalo felizmente reiniciou a sua expansão demográfica. Se estas questões nunca foram claramente entendidas pela ciência, é porque as enormes diferenças entre a morfologia e o comportamento humano e eqüino não são facilmente traduzidas em cooperação psicológica, interação etológica e integração neurofisiológica, fenômenos que resumem a equitação.

Na antiguidade, os povos eqüestres da Ásia Central romperam a barreira da velocidade biológica humana e a expansão das técnicas da equitação permitiu aos cavaleiros dominarem a História por mais de três milênios até quase os nossos dias.

A simbiose com o cavalo acelerou a progressão histórica da humanidade e a equitação é, sem dúvida, a tecnologia biológica mais complexa que a humanidade já desenvolveu.

Uma breve história da Equitação

Os 3.400 que moldaram as civilizações mais poderosas do planeta

A habilidade crescente dos cavaleiros das estepes em conduzir os seus animais ‘a partir de uma posição no seu dorso’ foi desenvolvida a ponto dos pastores nômades se capacitarem a perseguir e abater animais de grande porte – veados, búfalos e ursos – com tiros de arco e flecha. Os arqueólogos descobriram vestígios de caçadas realizadas a cavalo nas estepes da Ásia Central há mais de cinco mil anos, na época em que o povo agricultor do Egito começou a construir as primeiras pirâmides.

A habilidade eqüestre nas caçadas transformou-se, com o tempo, numa habilidade ainda mais complexa: fazer a guerra a cavalo. Os Citas em 1500 anos aC já dominavam militarmente as culturas agrícolas na região ao norte do Mar Negro e Cáspio.

Podemos supor que foi nesta zona, e por volta deste tempo, que iniciou-se a grande expansão do poder eqüestre na história da humanidade (Rink 2000). Para um povo sobreviver num mundo que estava se tornando eqüestre, era preciso dominar as técnicas da equitação, tanto para a conquista de novos territórios quanto para a defesa das pastagens. No segundo milênio aC começou a maior escalada tecnológica da história da humanidade: a corrida das civilizações mais adiantadas para dominar a tecnologia da equitação e formar suas cavalarias. Um fenômeno cultural que só iria cessar no final do século 19 – três mil e quatrocentos anos depois – com a invenção de outros meios de transporte e de novas armas de guerra.

A expansão do poder eqüestre avançou primeiramente por toda a extensão das estepes – das planícies da Rússia ocidental aos altiplanos da Manchúria – e, com o tempo, foi adotada por todas as grandes civilizações da Ásia Exterior, principalmente a hitita e a chinesa. Os faraós do Egito, para conter os saques das cavalarias nômades, foram obrigados a formar esquadrões de carros de guerra puxados a cavalo. Nos séculos seguintes, o poder dos povos eqüestres se espalhou inexoravelmente em todas as direções da Eurásia, e os primeiros vestígios de equitação no Oriente Médio encontram-se na arte rupestre do Tibete datada de cerca de 1200 a.C.

Em 890 aC os Assírios já contavam com cavalaria para derrotar e incorporar os Medas ao seu império e posteriormente o Egito. No sexto século antes de Cristo, a Pérsia formou cavalarias poderosas e tornou-se a maior potência militar do seu tempo. A Grécia, um dos primeiros países do Ocidente a organizar cavalaria militar, só o fez no século 5 aC. Mas foi sob os auspícios de Felipe da Macedônia que os gregos formaram cavalarias capazes de decidir o curso de uma batalha. O filho de Felipe, Alexandre o Grande, imortalizou-se com a mais extensa campanha militar da história do Ocidente que, com a ajuda de quatro mil cavalarianos, conquistou todo o mundo até então conhecido.

Na Europa, as regiões em contato com os povos cavaleiros foram as primeiras a formarem cavalarias militares, como solução para se defender das incursões dos arqueiros nômades. A Espanha e Portugal, sob forte influência moura e árabe, organizaram suas cavalarias nos séculos dez e onze dC.

Na Europa Central, a Hungria, a Romênia e a Bulgária desenvolveram fortes culturas eqüestres sob influência das invasões dos nômades turcos, hunos e mongóis.

Na Europa Oriental, a Lituânia e a Polônia também formaram uma forte identidade com o cavalo, influenciadas pela pressão de sociedades eqüestres originárias das estepes, sobretudo os Celtas.

A Europa Ocidental foi a última região do Velho Mundo a desenvolver uma cultura eqüestre. A sua geografia, formada por densas florestas e extensas regiões pantanosas, não era favorável à ação de cavalaria. Aquela remota região da Eurásia teve que esperar o abate de suas florestas e a drenagem de seus pântanos, ocorridos durante a Idade Média, para poder começar a formar cavalarias com eficiência militar.

Carlos Magno, chefe militar da França, foi o precursor do poder eqüestre na Europa. Ele organizou a primeira cavalaria que foi capaz de conquistar, defender e administrar grandes regiões. Hoje, todos os países que compõe o G-7 – os países mais desenvolvidos do planeta – foram, e ainda podem ser, considerados países de cultura essencialmente eqüestre.

Afinal, o século 20 foram os primeiros cem anos na história da humanidade em que o poder eqüestre não decidiu o destino das nações. A equitação – a tecnologia de se conduzir um cavalo a partir de uma posição no seu dorso – é provavelmente a tecnologia biológica mais complexa que a humanidade já desenvolveu, e certamente foi a que mais transformou o destino da humanidade.

Desde o poder militar exercido pelos Citas do Mar Negro, até a globalização mercantilista imposta pelo Império Britânico no século 19, o que decidia a sorte das nações era, sobretudo, o poder eqüestre.

O cavalo e a expansão mundial do poder eqüestre foi responsável pelo processo de transculturação que acelerou todos os processos tecnológicos humanos. Se o cavalo tivesse sido extinto como o mamute, hoje não existiriam automóveis, aviões nem computadores.

E se o novo mundo realmente tivesse sido descoberto no século 16, o que seria talvez improvável, a América do Norte seria pouco mais do que as treze colônias Inglesas, Francesas e Espanholas.

E a coroa Portuguesa ainda estaria explorando as capitanias de Pernambuco, Bahia, São Vicente, nas costas disputadas do Brasil.

Depois deste exame rápido da equitação através dos olhos da biologia, da antropologia e da história espero que tenha ficado claro que a civilização ocidental é uma antiga cultura eqüestre que abandonou o cavalo como mola-mestra da sua dinâmica cultural há menos de cem anos. Mas que o papel do cavalo na sociedade está longe de ter-se esgotado. Pelo contrário; a cada ano que passa novas funções lhe são atribuídas.

A equitação como ferramenta terapêutica e educacional.

O século 20 trouxe pelo menos uma novidade ligada à equitação: a descoberta da sua capacidade terapêutica para tratamento de alterações e deficiências físicas, psíquicas e sociais, auxiliar no tratamento de hiper-atividade, situações de stress e traumas, pacientes com lesões no sistema nervoso, como recurso pedagógico nas alterações da atenção, concentração e disciplina, e sobretudo para portadores de síndromes como autismo, Down, Rosenfeld e outras.

A descoberta de que o cavalo transfere energia e estimula a coordenação motora para o deficiente físico teve a utilidade de abrir uma nova fronteira de estudos que envolvem a psicologia da equitação, a fisiologia da equitação, a neurofisiologia da equitação e a comunicação interespécies da equitação, disciplinas que até então nem nomes tinham. Mas o que devemos investigar agora é como a equitação auxilia os eficientes, isto é, as pessoas normais desgastadas pelo stress urbano. É interessante observar que todos os métodos modernos de educação e pedagogia infantil também surgiram com a intenção de ajudar crianças deficientes, a exemplo do método Piaget e Montessori.

O fato é que os cientistas ainda não se deram conta da importância do cavalo e da equitação como ferramenta educacional, terapêutica e esportiva. A equitação envolve um alto grau de disciplina mental e corporal do cavaleiro, exige uma grande mudança comportamental e uma capacidade de discernimento ambiental muito além da experimentada pelos outros atletas.

A equitação também exige uma mudança comportamental do cavalo, para que os parceiros possam formar uma só unidade biológica, a base da maestria eqüestre.

O ginasta olímpico eleva à perfeição a maestria dos movimentos humanos, e o cavaleiro olímpico aprendeu a incorporar a motricidade eqüina e a administrar forças e a velocidades muito além das programadas pela genética humana. Podemos dizer que o cavaleiro é o único atleta capaz de ultrapassar os limites da fisiologia humana. Um jogador de futebol tem como elementos para o seu sucesso a sua maestria com a bola, a sua preparação atlética, a capacidade de improvisar jogadas, a capacidade de identificar o momento do jogo individual, com as jogadas que envolvem outro membro da equipe, num contexto de alta carga emocional.

O cavaleiro, como um general em campanha, tem à sua disposição os vastos recursos fisiológicos do cavalo, que ele precisa conhecer minuciosamente e orquestrar como se a ação viesse do seu próprio corpo. Nestas circunstâncias todos os sentidos humanos estão em alerta total, conectados para reconhecer o inesperado, tomar decisões na velocidade das sinapses, e encontrar soluções instantâneas para problemas que surgem em velocidades maiores do que a velocidade genética do Homem. Os neurônios estarão funcionando em altíssima freqüência, testando os limites humanos, além dos seus limites biológicos originais.

Para atingir um alto grau de excelência a mente do cavaleiro precisa ter os seus neurônios conectados em novas redes, muito mais complexas do que qualquer outra atividade humana.

Na conquista do México os espanhóis não venceram a batalha de Tenochitilán somente porque estavam montados a cavalo. Os conquistadores venceram porque as suas mentes haviam sido conectados para reconhecer o inesperado, tomar decisões e encontrar soluções instantâneas para os problemas que surgiam no caos da batalha numa velocidade maior do que a velocidade dos Aztecas.

Em síntese, a mente eqüestre dos cavaleiros espanhóis encontrava soluções mais rápidas para reverter uma situação de perigo do que a mente pedestre da infantaria de Montezuma. Os Astecas, apesar do seu maior número e da sua indiscutível valentia, ficaram indefesos frente à pequena cavalaria de Cortés, que lutava num ritmo superior e encontrando soluções bélicas mais rápidas do que a infantaria Asteca.

Esta superioridade neurológica também fez dos cavaleiros da antiguidade os lideres naturais dos seus povos. Nomes como Mo-Tun, o chefe que unificou os Hunos no 2o século a.C., Átila que assolou a Europa no 5o século d.C, e Genghis Khan que em 21 anos conquistou mais terras do que todos os reis e imperadores romanos juntos, atestam para a superior capacidade intelectual do cavaleiro em comparação aos seus adversários.

Até a Renascença todos os reis, imperadores, emires e Khans eram bons cavaleiros e a tradição eqüestre como símbolo de liderança foi mantido pelos exércitos ocidentais até a segunda guerra mundial, como atesta os uniformes dos oficiais ingleses, americanos e alemães – todos modelos de cavalaria.

Todos os fatores relacionados nesta palestra concorrem para comprovar um fenômeno inequívoco: o cavalo é uma ferramenta educacional sem par. Por milênios formou todos os principais líderes das civilizações avançadas e hoje a ciência começa a vislumbrar a função da equitação para o futuro. Para as crianças na escola, aquelas que tem uma inteligência biológica mais evoluída poderão desenvolver as suas aptidões naturais através da equitação.

Na Inglaterra, executivos de grandes empresas fazem treinamento a cavalo para acelerarem o seu tempo de resposta, assegurar uma visão mais clara dos objetivos a alcançar, saber influenciar, inspirar, direcionar e motivar pessoas na consecução de objetivos comuns, estabelecer laços emocionais e afetivos com seus liderados, aprenderem a lidar com forças e velocidades maiores do que a humana, e dominar as suas emoções negativas. Afinal o epigrama “Planejar globalmente e atuar localmente” é uma expressão que surgiu com a cavalaria.

E estas considerações nos levam ao cerne desta palestra: como a equitação e a liderança estão antropologicamente relacionadas.

Equitação e Liderança II

Porque o cavalo e a equitação sobreviveram ao festival tecnológico do século 20.

Por razões biológicas, sociais e históricas a equitação está associada à liderança desde a antiguidade. Ser cavaleiro significava estar no topo da hierarquia humana. Portanto equitação como catalizadora de liderança é um traço cultural de todas as civilizações bem sucedidas do mundo e isto pode ser uma das causas do atual renascimento eqüestre que se verifica nos paises desenvolvidos.

A liderança sobre o cavalo como premissa para a boa equitação exige todas as qualidades da liderança humana, acrescida da necessidade do cavaleiro compreender as motivações eqüinas assim como o líder de grupos humanos precisa ter sensibilidade para reconhecer as motivações humanas. Isto faz da equitação um delicado e sutil exercício de liderança, e os bons cavaleiros sempre demonstram também um dom natural para a liderança de grupos humanos.

Os conceitos básicos de liderança servem tanto para governar uma nação e administrar uma empresa quanto equitar um cavalo. Se um cavalo for submetido a uma equitação tirânica ele poderá ser levado ao desespero e à rebeldia, principalmente se a sua índole e temperamento o qualifica para ocupar um posto alto na hierarquia eqüina. Se, ao contrário, um animal for submetido à uma equitação sem liderança alguma ele saberá assumir o governo das rédeas, mesmo que o seu lugar na hierarquia eqüina seja de baixo nível.

Assumir uma liderança ou se submeter a uma posição subalterna é, para o cavalo, natural e necessário – porque é dessa maneira que ele sobreviveu como espécie há milhões de anos.

Mas o estudo da liderança sempre foi um tema polêmico, paradoxal e apaixonante.

Polêmico porque dificilmente se consegue analisá-lo sem deixar de manifestar, ainda que implicitamente, os nossos valores, crenças, preferências, motivações e preconceitos.

Paradoxal porque liderança é contraditório, até mesmo incoerente, não existindo resposta única para todas as situações.

A realidade é que o ato de liderar exige em muitas ocasiões “dez pesos e dez medidas”, ao invés do proverbial “um peso e uma medida”. Este fenômeno é também relevante na equitação. A equitação produzida por um conjunto cavalo-cavaleiro nunca será igual à de outro conjunto. Quando um bom cavaleiro troca de cavalo muda a sua equitação.

Em todas as oportunidades que tratamos de liderança, diferentes personagens são mencionadas para exemplificar estilos de liderança que variam de um extremo para o outro da escala emocional: do bem ao mal, da paciência ao nervosismo, da verdade a mentira, do medo a esperança, do amor ao ódio, da arrogância a humildade. De Jesus a Gandhi nunca houve dois lideres iguais.

Mas na liderança do cavaleiro sobre o cavalo este fenômeno binário desaparece: o uso do mal, do nervosismo, da mentira, do medo, do ódio e da arrogância leva a má equitação. Isto porque estas aberrações comportamentais não são compreendidas pelo cavalo. Só o bem, a paciência, o amor e a humildade são capazes de deflagrar a cooperação natural do cavalo, através de sua inclinação natural para uma relação simbiótica.

Liderar homens é a capacidade de influenciá-los, liderar cavalos também.

Outra observação interessante sobre a liderança é o fato de que ‘o bom líder é feito pelos seus seguidores’, e o bom cavaleiro é feito por seu cavalo.

Fazer com que os liderados façam o que é preciso não é necessariamente ser eficaz. O desafio do líder está em fazer com que os liderados queiram fazer o que é preciso ser feito.

Esta observação encontra uma analogia perfeita na equitação. Só o grande cavaleiro consegue conduzir o cavalo de modo que este queira fazer o que é preciso ser feito. A reação negativa de um cavalo na pista estará sempre ligada a um erro do cavaleiro cometido, naquele momento, ou em algum momento anterior.

Segundo Belasco & Stayer, durante muitos anos as pessoas foram treinadas a acreditar que liderança era planejar, organizar, coordenar e controlar. Esse modelo funcionava, na maioria das organizações, muito semelhante a uma manada de búfalos ou cavalos. A razão é que os búfalos e os cavalos são seguidores fiéis de um líder. Eles fazem tudo o que um líder quer que façam. O difícil é aprender como fazê-los entender.

Um líder de pessoas tem que ser um especialista em gente, capaz de produzir mudanças profundas no relacionamento de seus liderados. Aprender, entender, compreender e refletir sobre o processo dinâmico do comportamento humano deveria se constituir um dos principais campos de interesse e estudo por parte daqueles que exercem a liderança.

Aqui, entretanto, encontramos uma diferença entre a liderança de humanos e a liderança de cavalos: o cavaleiro que souber assumir a liderança do seu cavalo conseguirá que este faça tudo o que ele deseja, por que o cavalo lhe obedecerá automaticamente. Mas para atingir este nível de equitação é preciso que o cavaleiro aprenda a compreender o processo dinâmico do comportamento eqüino que igualmente deveria ser o principal campo de interesse e de estudos do cavaleiro. Mas raramente isto acontece.

Freqüentemente o aspirante a equitador imagina que montar a cavalo é apenas a capacidade de dominar o animal por qualquer meio. Se o animal não obedecer por bem terá de obedecer por mal.

Mas a boa equitação é, sobretudo, um exercício de liderança. E a liderança como tudo na vida, pode ser exercida de maneira inteligente e de maneira burra. É inteligente quando o líder consegue promover um alto grau de satisfação para os seus liderados e é burra quando a liderança serve apenas para satisfazer o desejo de poder do líder, e que terminará sempre com a sua queda do poder.

A equitação é, portanto, uma metáfora da vida e a queda de um cavalo estará sempre ligada à incompetência no exercício da liderança e do poder.

“Cair do cavalo”, significando a perda do poder, é mais uma brilhante metáfora da nossa cultura eqüestre.

Através de uma visão antropológica podemos verificar que a qualidade de equitação de uma pessoa também está ligada ao seu desenvolvimento social e o seu preparo para a o exercício da liderança. Quanto mais sensível o equitador melhor será o seu controle sobre pessoas e cavalos.

Um conjunto eqüestre é, certamente, uma das simbioses mais complexas já formadas na fauna do planeta. A unificação dos sistemas fisiológicos, processos cognitivos e ciclos biológicos do homem e do cavalo exigem um enorme sentido de cooperação do cavalo e uma grande capacidade intelectual do Homem. A equitação de alta performance é um exercício de alta sensibilidade capaz de qualificar a capacidade de liderança de uma pessoa.

Conhecendo as opiniões e sentimento dos seus colaboradores, os líderes contribuem para o despertar do “pertencimento”, fator essencial para que a motivação brote, cresça e se desenvolva.

Quando um homem e um cavalo, vindo de duas organizações sociais com estruturas básicas semelhantes, mas com sistemas de comunicação diferentes, conseguem unir os seus recursos fisiológicos para se tornarem um só ser galopante o elemento mais importante deste empreendimento é a capacidade do Homem entender o que motiva o cavalo e quais são os seus deveres e limites na equitação.

O cavaleiro é, sobretudo, um líder de cavalos.

A baixa performance na equitação geralmente ocorre quando o homem ou o cavalo invade o papel funcional do parceiro durante o desenrolar da ação eqüestre. Por isso é fundamental o cavaleiro aprender qual exatamente é o seu papel na equitação e qual o papel do cavalo.

Em outras palavras: para fazer o cavalo cooperar integralmente com as propostas do cavaleiro é importante que este último entenda os princípios que regem a hierarquia eqüina.

Mas voltemos ao foco Equitação e Liderança: a razão biológica da liderança histórica dos cavaleiros é simples: a soma da fisiologia do Homem e do cavalo na equitação é mais do que as soma das suas partes. Isto é, a simbiose fisiológica entre as espécies Homo sapiens e Equus caballus produziu uma entidade mais poderosa do que qualquer um dos dois parceiros individualmente. Os gregos, sem que a ciência de Aristóteles pudesse explicar a união neurofisiológica do homem e do cavalo na equitação, deram nome à entidade e criaram uma figuração perfeita para o novo animal: um cavalo com uma cabeça humana chamado Centauro.

Entretanto, a razão social da liderança dos cavaleiros é mais sutil: está localizado no cérebro e no sistema nervoso. Por vários milênios os homens que foram capazes de dominar um cavalo, e aprenderam a manejar armas a partir de uma posição no seu dorso, se tornaram mais poderosos do que os guerreiros pedestres. Basta visitar qualquer capítulo da história para verificar esta verdade.

Mas a razão mais evidente da liderança dos cavaleiros sobre as populações pedestres é o fato de que a equitação é provavelmente a tecnologia mais difícil que a mente humana já dominou. A capacidade de controlar um cavalo e manejar armas ao galope, inserida no contexto bélico em que o erro pode ser castigado com a morte, excede em complexidade qualquer outra atividade já exercida pelo homem. Mas o simples manejo de armas e outras ferramentas podem ser dominados por uma maioria desde que a pessoa dedique as horas necessárias para aprender as sutilezas do seu manejo. Mesmo o manejo de arco e flecha e de armas de fogo se torna simples quando comparado à complexidade de dominar um cavalo, um animal superior equipado com o cérebro complexo de um mamífero.

A dificuldade do aprendizado da equitação decorre do fato de que ela exige o dispêndio de muita dedicação, determinação e energia para atingir um alto grau de sensibilidade eqüestre, e esta maestria está na base do reconhecimento histórico do cavaleiro como líder.

Equitação e Liderança são, pois, um fenômeno histórico que parece ter a capacidade de varar os milênios.

Como a influência do cavalo e da equitação voltou a crescer nos dias de hoje, sugiro, para finalizar esta palestra, que a Escola de Equitação do Exército abra as suas portas para as outras Armas e ofereça cursos de Equitação & Liderança para oficiais da Marinha e da Aeronáutica. Seria um método moderno de criar, através da equitação, lideres ainda mais eficazes no céu e no mar do País. Fica aqui a sugestão, o meu muito obrigado pela atenção dispensada, e vamos aos debates.

 

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